Quem vê cara...
Sírio Possenti Na semana passada, uma manifestação da jornalista potiguar Micheline Borges causou furor. Escreveu diversas bobagens em uma das redes, mas a mais cretina foi que médicos cubanos não têm aparência de médicos. “Essas médicas cubanas têm uma cara de empregadas domésticas”, tascou.
O que é uma cara de empregada doméstica? De cor negra?
Vendo a foto de Micheline, não consigo saber nada sobre ela: se o cabelo é realmente loiro ou se é pintado; se é sabidinha ou burrinha; se namora ou não; se é ou não bissexual; se gosta de forró ou não; se é jornalista ou garota de programa; se fez plásticas ou se sempre foi assim etc.
Não dá para saber nada pela cara. Nem dela nem de ninguém, porque ninguém tem cara de nada, nem nada se define pela cara. Em suma: vendo sua cara, não tenho a mínima ideia do que ela seja.
Mas lendo seu post, apostei que é burra. Lendo seu pedido de desculpas, confirmei que é um texto estúpido e grosso. Predicados que, possivelmente, provenham de sua autora.
Disponível em: terramagazine.terra.com.br/blogdosirio/blog/2013/09/05/decoreba/ Acesso em: 12 set. 2013
Com foco em Carone (2004), analise as afirmativas a seguir:
I. Em ‘namora’, ocorre um processo de criação vocabular denominado de derivação regressiva.
II. Em ‘burrinha’, ocorre um processo de afixação por sufixação, em que o sufixo -inha é adicionado ao radical.
III. Em ‘possivelmente’, verifica-se um dos procedimentos gramaticais mais produtivos, em português, para o enriquecimento do léxico.
IV. Em “Essas médicas cubanas têm uma cara de empregadas domésticas”, o artigo indefinido ‘uma’ é chamado de palavra gramatical endofórica.
Estão corretas apenas as afirmativas