TEXTO I
A novilíngua do crime
Por meio do uso ideológico de termos inapropriados, ou
francamente mentirosos, a língua portuguesa foi colocada
a serviço do crime
Roberto Motta
Nunca diga “violência” quando a palavra correta for “crime”. É
fácil entender a diferença: “crime” é um termo objetivo, que
descreve um ato específico. Um crime fere o direito de outra
pessoa, ou até a própria pessoa. “Violência” é um termo vago,
cujo significado depende do contexto. A violência pode ser
negativa (quando é usada, por exemplo, para cometer um
crime) ou positiva (quando é usada para proteger um inocente
indefeso ou impedir que um crime violento seja cometido). O
problema do Brasil não é a violência. O problema do Brasil é
uma infestação por crime.
Palavras importam. Não use a expressão “segurança pública”
quando você quis dizer “combate ao crime”. São coisas
diferentes. O país está cheio de “especialistas” que acreditam
que é possível melhorar a segurança pública com rodas de
conversa, aulas de artesanato e educação em tempo integral.
Nenhuma dessas louváveis iniciativas ajuda a reduzir assaltos
ou a identificar autores de homicídios. Para tornar o Brasil um
país menos perigoso é preciso combater o crime. Não se
combate o crime com conversas, artesanato ou escolas. Crime
se combate com polícia, prisões e leis duras.
Nunca use o termo “letalidade policial” a menos que você
também use a expressão “letalidade judicial”. Se é importante
monitorar o número de pessoas mortas em confronto com a
polícia – lembrando que ninguém deveria confrontar um policial
e que, em nenhum país do mundo, os criminosos são tão
ousados e armados como no Brasil –, também é importante
contar quantas pessoas foram mortas como resultado de
decisões judiciais equivocadas ou da aplicação de uma
legislação abertamente pró-bandido.
Nunca chame de “suspeito” um indivíduo que foi filmado
assaltando alguém. Não precisamos esperar por uma sentença
judicial para descrever a realidade diante de nós. Quem chama
de “suspeito” um criminoso flagrado colocando uma arma na
cabeça de uma vítima não pode chamar de “assassino” um
policial envolvido em um confronto que resultou em mortes. São
dois pesos, duas medidas e, pelo menos, uma mentira.
Não use o termo “ressocialização” que não passa de uma
fantasia ideológica. Prefira “reabilitação”: trata-se de um
processo individual de mudança que tem como requisitos
básicos o arrependimento e a decisão de mudar de vida. Rejeite
termos como “progressão de regime” (não há progresso
envolvido em aliviar a pena de criminosos perigosos), “auxílio-reclusão” (o nome correto é “bolsa-penitenciário”, um absurdo
moral e um estímulo inaceitável ao crime) e “garantismo penal”
(uma doutrina jurídico-ideológica para a qual só existem os
direitos do criminoso, cujo nome correto é “bandidolatria”).
Jamais use “reeducando”, “interno”, “apenado” ou “pessoa
privada de liberdade” para se referir a criminosos violentos e
perigosos cuja condenação custou sangue e dinheiro à
sociedade. Eles são “presidiários” ou “detentos”. Jamais se
refira a eles apenas como “presos” – use o termo completo: eles
são “criminosos condenados” que, por isso, “estão” presos.
Recuse-se a chamar de “adolescente em conflito com a lei” um
indivíduo quase adulto que, tendo plena consciência do que faz,
comete atos brutais – assaltos, homicídios ou estupros.
Recuse-se a chamar esses crimes de “atos infracionais”.
Crime é uma escolha feita pelo criminoso. A luta contra o
crime começa pela escolha das palavras. A linguagem tem
poder. Uma palavra pode ter mais força que uma arma ou uma
sentença. Palavras se infiltram em mentes e almas, alteram
posições morais, confundem causas com consequências e
constroem ou destroem convicções. Por meio de uso ideológico
de termos inapropriados, ou francamente mentirosos, a língua
portuguesa foi colocada a serviço do crime. A manipulação sem
tréguas da linguagem pela mídia, de forma repetitiva, cegou e
emburreceu boa parte do jornalismo e da audiência, bem como
retirou da vítima a capacidade de descrever seu próprio
sofrimento e o direito de articular sua indignação.
A novilíngua da “segurança pública” mata no nascedouro
qualquer medida, por mais óbvia, necessária e sensata que
seja, que possa prejudicar o ecossistema do crime. Nada pode
ser feito porque “cadeia não ressocializa”, porque precisamos
de “mais escolas e menos prisões”, porque “as penitenciárias
estão cheias de inocentes presos por fumar um baseado”,
porque o combate às drogas é “uma guerra perdida” e porque
“a polícia brasileira é a que mais mata e mais morre”. Essas
expressões são construções ideológicas importadas por ONGs
financiadas em dólar, afirmações sem qualquer base na
realidade, slogans publicitários do crime.
O primeiro passo para sair do atoleiro moral é repudiar essas
falácias, cujo objetivo é retirar a culpa do criminoso e distribuí-la entre as vítimas. O primeiro passo no combate ao crime é
resgatar a linguagem.
https://revistaoeste.com/revista/edicao/-250/a-novilingua-do-crime/ Adaptado..
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Assistente Social
40 Questões
Biomédico
40 Questões
Cirurgião-Dentista
40 Questões
Enfermeiro
40 Questões
Farmacêutico
40 Questões
Fisioterapeuta
40 Questões
Nutricionista
40 Questões
Profissional de Educação Física
40 Questões
Psicólogo
40 Questões
Psicopedagogo
40 Questões