“Não sei como Deus trabalha”. Está dito no filme O Solista, dirigido por Joe Wright. O filme se passa em Los Angeles, relatando a história do músico, morador de rua e esquizofrênico Nathaniel Ayers. Raras vezes li ou ouvi uma afirmativa com uma densidade tão profunda. Não poderia deixá-la sem diálogo, sintetizando, apenas, um instante de encantamento. O filme questiona muita coisa, derruba verdades consagradas, mas com uma delicadeza indefinível. Mergulha nas loucuras da vida, extensas e penetrantes, sem limitar as interpretações, nem estabelecer critérios do para sempre. Num mundo em que se acelera a cada passo e não se apagam as curvas, nem os abismos, as incertezas invadem o cotidiano. Não há como bloqueá-las. Tudo fica por um triz. A solidão é presença, é ser no mundo, como as cordas do violino d'O Solista. A quantidade, as massas nas ruas, as torcidas nas arenas esportivas, a juventude gritando nos desenganos, as multidões dançando ao som dos Cavaleiros do Forró, fazem parte também de uma demografia imaginária. As proximidades dos corpos é um sinal de cansaço e não de afeto. Nada é fixo, nem tampouco flutua. Vivemos agoras que inibem reflexão. A consciência dorme no caixão do iluminismo. Para que o esforço, se a máquina desenha o infinito? Para que o espelho, se o avesso é o que vale? (Rezende, Antonio Paulo. 2010, p. 2)
O texto acima possibilita as seguintes reflexões sobre a experiência humana na pós-modernidade:
I- Os projetos coletivos de emancipação nascidos sob a égide do iluminismo estão cada vez mais vivos nas sociedades humanas.
II- O tempo lento prepondera sobre a aceleração vivenciada na chamada “compressão do espaço-tempo”.
III- As máscaras pelas quais os indivíduos se apresentam são desconstruídas na e pela efemeridade das verdades.
É CORRETO o que se apresenta em: