Texto I
Violência não é uma expressão apenas descritiva ou neutra, ela já toma partido, se engaja na própria definição do ato ou do autor. O emprego socialmente denunciador da palavra violência, por isso, tende a reter através dos tempos um significado duro, que, em última análise, não pode ser negociado ou atenuado o de um ato que viola (do latim violens) a integridade de um indivíduo que não lhe permite a reação e que, portanto, transforma-o em mero objeto, em uma coisa qualquer a que se pode fazer o que se quiser.
A violência urbana diz respeito a uma multiplicidade de eventos (que nem sempre apontam para o significado mais forte da expressão violência) que parece vinculados ao modo de vida das grandes metrópoles na modernidade. Esses eventos podem reunir, na mesma denominação geral, motivações muito distintas, desde vandalismos, desordens públicas, motins e saques até ações criminosas individuais de diferentes tipos, inclusive as não-internacionais como as provocadas por negligência ou consumo excessivo de álcool ou outras drogas. Além disso, a expressão violência urbana tenta dar um significado mais sociológico e menos criminal a esses eventos, interligando-os a causas mais complexas e a motivações muito variadas, em uma abordagem que preconiza a necessidade de não desvincular esses eventos da complexidade de estilos de vida e situações existentes em uma grande metrópole.
Duas abordagens diferentes se completam, mas não devem ser misturadas: em uma, toma-se posição e acusa-se a violência indesejada. Nela, o uso de expressões denunciadoras é normal e esperado: é o caso de editoriais da imprensa, de cartas de leitores, de manifestações políticas, de discursos ideológicos; na outra abordagem, procura-se colocar entre parênteses a denúncia e a emoção e examinar-se o assunto com o máximo de isenção e compreensão possível, visando não a racionalizá-lo ou defendê-lo, mas a explicá-lo com recurso ás disciplinas científico-humanas que o estudam.
Michel Misse. Da violência de nossos dias. Internet
<https;// www.unicrio.org.br> Acesso em 13/2/2008 (com adaptações).
Entre o primeiro e o segundo parágrafos do texto, estabelece-se um vínculo que poderia ser corretamente explicitado com o emprego de: