Maria, 11 anos, tem desenvolvimento neuropsicomotor prévio adequado e história prévia relevante de encefalite herpética tratada há 3 meses associada a epilepsia secundária estrutural. Ela retorna ao pronto-socorro, acompanhada dos pais, com relato de mau controle das crises epilépticas focais disperceptivas, associado a mau rendimento escolar, sonolência excessiva, alteração de humor com irritabilidade significativa e heteroagressividade. Os pais notaram que o comportamento em casa mudou drasticamente há 1 mês. Maria tem se queixado de que pessoas estão lhe perseguindo, além de ver animais à noite brigando com ela. Os pais optaram por levá-la ao PS devido a alteração de consciência com sonolência significativa nos últimos 3 dias. Notaram também que há 1 semana apresentou quadro de febre transitória com rinorreia e odinofagia. Maria está em uso de levetiracetam, carbamazepina e clobazam em doses otimizadas.
Ao exame, apresenta-se torporosa, acordando ao estímulo doloroso; quando acorda, tenta agredir o examinador, sem alterações de pares cranianos, força preservada e simétrica bilateralmente. Sem rigidez de nuca ou outros achados de irritação meníngea. Dados vitais estáveis, afebril. A ressonância magnética de encéfalo mostra lesões com hiperintensidade em imagem T2/FLAIR bilateralmente em região mesial temporal, sem efeito massa, sem restrição a difusão e sem realce de contraste. O líquor revelou pleocitose com 32 leucócitos/mm³, predomínio linfocítico (96%), glicose normal, proteínas 75 mg/dl, ácido lático normal. Culturas em andamento. Painel de pesquisa viral em andamento. A EEG apresentou alentecimento bilateral, descargas epileptiformes bitemporais interictais com padrão de “extreme delta brush” e registro de 3 crises eletrográficas temporais, de 1 minuto de duração, com origem em lobo temporal direito, sem retomar nível de consciência entre elas. Qual seriam os próximos passos na condução do caso?