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TEXTO I:
EMOÇÃO É CRUCIAL NO APRENDIZADO
Alunos aprendem mais quando se sentem seguros e constroem relações de confiança e respeito
com os professores. Emoção e aprendizagem, portanto, precisam ser consideradas no processo
educativo. Essas foram as principais conclusões de uma das mais concorridas mesas do congresso
da Associação Americana de Pesquisas Educacionais (Aera, na sigla em inglês), em Toronto, no
5 Canadá. As afirmações podem soar óbvias, mas reafirmá-las, a partir de novas e robustas
evidências, é importante num contexto em que políticas públicas educacionais em diversos países
tendem a separar essas duas dimensões, colocando o aprendizado de disciplinas tradicionais como
mais importante do que o bem-estar dos alunos.
Para Linda Darling-Hammond, a evidência dos estudos precisa ser melhor entendida por escolas e
10 formuladores de políticas públicas. “Sabemos, pela maneira como o cérebro funciona, que para o
aprendizado ocorrer de forma efetiva precisamos nos sentir seguros e conectados. Aprendemos
muito mais quando vivenciamos emoções positivas do que negativas. Isso tem implicações para o
que fazemos nas escolas.” Para ela, as evidências da neurociência, da pedagogia e da psicologia
indicam que, no processo educativo, é fundamental olhar para a criança e o adolescente em todas as
15 dimensões.
Como a principal interação com adultos na escola acontece com os professores, a relação que esses
dois atores constroem é essencial tanto para o sucesso acadêmico quanto ao longo da vida. Numa
revisão de 46 estudos publicados em revistas científicas, o australiano Daniel Quin identificou que
relações positivas com os professores estavam associadas a melhores notas e a menos faltas,
20 evasão, suspensões. Professores se beneficiam também, destaca a jornalista Sarah Sparks num
artigo em que cita um estudo publicado no “Jornal Europeu de Psicologia da Educação”. A pesquisa
mostrou que a qualidade da relação dos professores com os alunos era o fator que mais impactava
no estresse ou satisfação dos docentes.
Estudos no Brasil têm destacado a importância da relação entre jovens e professores, que não deve
25 ser confundida com vínculos de amizade ou professores que passam a mão na cabeça dos alunos.
No livro “Juventudes na escola, sentidos e buscas: por que frequentam”, Miriam Abramovay, Mary
Garcia Castro e Julio Jacobo Waiselfisz identificaram que as principais características valorizadas
pelos estudantes brasileiros em relação aos professores são dar boas aulas, dialogar e responder
dúvidas e questões, sempre com respeito.
30 Desenvolver a empatia nos professores e alunos precisa estar entre as prioridades até mesmo
daqueles que estão preocupados só com o desempenho acadêmico. Para isso acontecer, é preciso
não apenas boa vontade e formação, mas apoio às escolas para que possam desenvolver um bom
clima.
Num estudo sobre as características dos diretores mais associadas ao desempenho dos alunos,
35 Elaine Allensworth (Universidade de Chicago) e James Sebastian (Universidade de Missouri) assim
resumem a importância de construir um ambiente seguro e baseado em relações de respeito:
“Evidências sobre a ciência da aprendizagem sugerem que relacionamentos, emoções e interações
sociais são centrais para o processo educacional. Líderes ansiosos para melhorar ganhos de
aprendizagem em suas escolas devem considerar fortemente o quanto eles estão trabalhando para
40 melhorar a sensação de segurança e bem-estar dos alunos”. Texto de Antônio Goes, publicado em O Globo, 15/04/2019
Com base no Texto I, responda às questões de números 1 a 7.
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