Texto I
A decisão do governo estadual de fechar escolas rurais com reduzido número de alunos provocou imediata reação das comunidades atingidas e deflagrou uma polêmica nos meios educacionais. Deve o Estado continuar investindo em uma estrutura escolar que atende meia dúzia de crianças quando pode deslocá-las para uma escola maior em outro centro? Do ponto de vista econômico, ninguém pode ter dúvidas de que a atitude mais racional é garantir transporte para que essas crianças completem seus estudos em escolas maiores. Mas a questão educacional é mais complexa. Se uma só dessas crianças desistir de estudar por causa da alteração, a medida já se constituirá em fracasso, pois a verdadeira prioridade da educação tem de ser o aluno.
Embora a secretaria de educação insista em que o chamado programa de nucleação ainda está em estudos e que as soluções serão compartilhadas com as comunidades, os moradores de pequenas localidades têm motivos para se preocupar. O encaminhamento das crianças para escolas distantes, ainda que a prefeitura ou o estado ofereçam transporte adequado, é sempre um desestímulo à continuidade dos estudos.
Evidentemente, cada caso deve ser examinado separadamente. Parece mesmo absurdo que uma escola pública seja colocada em funcionamento para atender a apenas um aluno. Mas é fundamental reconhecer que esse aluno merece total atenção do Estado, não pode ter sua formação interrompida nem dificultada. Tanto a Constituição Federal quanto a estadual garantem a educação como direito de todos e dever do Estado e da família, assegurando, ainda, igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola.
São esses fatores que devem ser levados em conta na decisão de fechar ou não uma escola pequena no meio rural.
Não basta ao poder público oferecer vagas em uma escola maior em outra localidade, se não levar em conta o tempo que o aluno despenderá para se locomover ou até mesmo as condições emocionais da família para ficar longe da criança por determinado período do dia.
O argumento da sociabilidade é relativo. Ainda que seja saudável para a criança conviver com grupos maiores, também pode ser mais produtivo do ponto de vista da aprendizagem estudar em uma turma pequena, que pode receber melhor acompanhamento dos professores. Há ainda um derradeiro fator que não pode ser desconsiderado: a escola, por menor que seja, é sempre um ponto de referência cultural para a comunidade.
Existe até uma máxima que merece reflexão em um momento em que se discute o fechamento de pequenas escolas no meio rural: uma sociedade que não constrói escolas acaba tendo que construir presídios.
A verdadeira prioridade. In: Zero Hora. Editoriais, 23/1/2005, p. 12 (com adaptações).
Com referência às idéias e às estruturas do texto, julgue o item a seguir.
O autor do texto defende que uma escola que tenha inscrito apenas um aluno não deve ser fechada caso a transferência desse aluno para outra escola coloque em risco a continuidade de sua formação.