Magna Concursos

Há anos defendo a ideia de que a importância dada à biodiversidade deveria ser estendida à sociodiversidade. Assim como a biodiversidade traz grande poder a um país, a sociodiversidade também o faz.

Como todos sabem, as populações tradicionais de um determinado local carregam consigo uma enciclopédia de conhecimentos sobre seu entorno, incluindo a mágica de utilizar os recursos naturais como meio de sobrevivência sem comprometer a existência do ambiente. Alguns chamariam isso de autossustentabilidade. Não sei se a autossustentabilidade é possível em uma sociedade com a nossa escala demográfica e com tamanha expectativa de consumo. Mas, se estratégias que aliviem o impacto ambiental forem possíveis para nós, elas certamente terão que ser inspiradas nos povos originais de cada grande ambiente natural de nosso planeta, incluindo aí a Amazônia.

Ocorre que essas populações tradicionais estão sendo varridas do planeta, principalmente em nosso país, antes de terem suas bases de sustentação material e suas formas de manejo florestal estudadas em profundidade. Esse é um dos motivos pelos quais se deve defender a urgente manutenção dos povos originais na Terra.

Mas é possível argumentar por um outro viés, pelo menos não explicitamente utilitarista. A humanidade surgiu há cerca de 2,5 milhões de anos e até cerca de cinco mil anos atrás vivemos em sociedades de pequena escala, sobretudo em pequenos bandos de caçadores-coletores e, mais tarde, em pequenas tribos com agricultura incipiente. Toda nossa psique foi formada nesse período. Portanto, se destruirmos os últimos povos originais do planeta, estará perdida, para sempre, a compreensão da nossa alma, dos nossos conflitos psicológicos e, até mesmo, psiquiátricos. Em poucas palavras, de nosso sofrimento enquanto espécie.

Cada uma dessas sociedades significa experimentos únicos em termos existenciais e elas podem ter encontrado soluções diversas para as dores da alma, que estamos falhando em encontrar (temos altas taxas de suicídios, de depressão e ansiedade, de consumo de remédios psiquiátricos etc.). Portanto, “consultá-las” a respeito é o mínimo que podemos fazer. A biodiversidade é o ouro que os biomas podem nos fornecer e a sociodiversidade, o diamante.

(Walter Neves. Ianomâmis: réquiem para nós mesmos. https://jornal.usp.br, 27.02.2023. Adaptado)

O autor defende que os povos originais

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Analista de TI

50 Questões

Assistente Social

50 Questões

Educador - Práticas Desportivas

50 Questões

Especialista em Análises Clínicas

50 Questões

Fonoaudiólogo

50 Questões

Terapeuta Ocupacional

50 Questões