“A historiografia da arte vem se interessando cada vez mais
pela dimensão histórica dos museus de arte, isto é, qual a
relação que eles, como instituições (e, portanto,
representações dos valores atribuídos à arte), têm com as
esferas sociais, políticas e (por que não?) econômicas das
sociedades ocidentais. Ela também se dedica mais ao estudo
dos modos de circulação, apresentação, emulação das obras
dos artistas por via das exposições de arte. Também num
momento em que assistimos aos artistas fazerem uso dos
modos de exposição e nos chamarem a atenção para os
espaços nos quais exibem arte para realizar suas
proposições, o campo da história da arte vê cada vez mais a
necessidade em apreender tais fenômenos, bem como
revisitar outros momentos da produção artística com novas
lentes. [...] O Brasil aparece no cenário atual como espaço
privilegiado de debates em torno da arte moderna. Em
primeiro lugar, porque nossa arte moderna tem sido vista como uma espécie de “cânon alternativo” para a produção
contemporânea. Em segundo lugar, porque posicionamo-nos,
já no contexto modernista, como uma espécie de centro
deslocado/periférico, capaz de criar instâncias divulgadoras
de arte moderna de alcance internacional (caso exemplar da
Bienal de São Paulo desde sua primeira edição em 1951). Por
fim, criamos instituições e constituímos acervos justamente no
momento de reorganização do mundo naquela década de
1940. A Universidade de São Paulo (USP) é responsável pela
guarda e curadoria do acervo mais importante de arte
moderna do país, que se originou naquele momento.”
MAGALHÃES, Ana Gonçalves. Uma nova luz sobre o acervo modernista
do MAC USP. Revista USP, São Paulo, n. 90, jun./ago. 2011.