Magna Concursos

Diversidade linguística e norma-padrão

Quando o professor Paulo Freire foi empossado Secretário da Educação de São Paulo, fez uma asseveração que causou estranheza: a de que as professoras não devem criticar ou reprimir um aluno que fale coisas como “nós cheguemu”.

Qualquer posição que coloque ou pareça colocar em risco a pureza e a propriedade do idioma pátrio será sempre recebida no mínimo com perplexidade, quando não com veemente resistência. É interessante constatar que nas sociedades modernas os valores culturais associados à norma linguística de prestígio, considerada correta, apropriada e bela, são ainda mais arraigados e persistentes que outros de natureza ética, moral e estética.

O prestígio do português culto, padronizado nas gramáticas e dicionários e cultivado na literatura e nos mais diversos domínios institucionais da sociedade, não se restringe, como seria de esperar, aos grupos de seus usuários; ao contrário, perpassa todos os segmentos sociais. Varia apenas a sua manifestação, em função do acesso diferenciado que esses grupos têm às normas que funcionam como um quadro referencial da correção e propriedade linguística.

O cidadão erudito aprecia a língua culta, que por sinal é o seu meio natural de comunicação, mas o trabalhador braçal, a empregada doméstica, os milhões de iletrados também o fazem. Demonstram igualmente um sentimento positivo em relação à “boa linguagem”, à linguagem daqueles que têm estudo. Uma evidência disso é que as lideranças políticas das nossas classes trabalhadoras se esmeram em falar um português escorreito, em suas aparições públicas, no que nem sempre têm total sucesso em virtude de sua sociabilização ter ocorrido no âmbito das variedades populares. O prestígio associado ao português padrão é sem dúvida um valor cultural muito arraigado, herança colonial consolidada nos nossos cinco séculos de existência como nação. Podemos e devemos questioná-lo, desmistificá-lo, e demonstrar sua relatividade e seus efeitos perversos na perpetuação das desigualdades sociais, mas negá-lo, não há como.

O comportamento linguístico é um indicador claro da estratificação social. Os grupos sociais são diferenciados pelo uso da língua. Em sociedades com histórica distribuição desigual de renda (entre as quais o Brasil pode ser considerado um caso prototípico), as diferenças são acentuadas e tendem a se perpetuar. Pode-se afirmar que a distribuição injusta de bens culturais, principalmente das formas valorizadas de falar, é paralela à distribuição iníqua de bens materiais e de oportunidades.

No Brasil, as diferenças linguísticas socialmente condicionadas não são seriamente levadas em conta. A escola é norteada para ensinar a língua da cultura dominante; tudo que se afasta desse código é defeituoso e deve ser eliminado. O ensino sistemático da língua é de fato uma atividade impositiva. Para alguns estudiosos há mesmo uma incompatibilidade entre uma democracia pluralista e a padronização linguística. Isto fica mais evidente em países plurilíngues, onde os falantes de línguas minoritárias têm de aprender e usar, em muitos domínios, a língua majoritária. Mas, nesses países, os grupos étnicos minoritários têm feito valer seus direitos e as escolas desenvolvido métodos de ensino bilíngue ou bidialetal, comprometidos com o respeito e a preservação das características linguístico-culturais desses grupos.

BORTONE-RICARDO, Stella Maris. Nós chegemu na escola, e agora?: sociolinguística & educação. São Paulo: Parábola, 2005. p. 13-15. (Adaptado).

O uso das aspas na expressão “boa linguagem” desempenha a seguinte função:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Analista Ambiental

30 Questões

Assistente Social

30 Questões

Auditor de Tributos

30 Questões

Biomédico

30 Questões

Educador Físico

30 Questões

Enfermeiro

30 Questões

Farmacêutico

30 Questões

Fisioterapeuta

30 Questões

Fonoaudiólogo

30 Questões

Médico

30 Questões

Nutricionista

30 Questões

Odontólogo

30 Questões

Professor - Biologia

30 Questões

Professor - Educação Física

30 Questões

Professor - Letras

30 Questões

Professor - Matemática

30 Questões

Professor - Química

30 Questões

Profissional de Magistério - Pedagogo

30 Questões

Profissional do Magistério - Física

30 Questões

Profissional do Magistério - Geografia

30 Questões

Profissional do Magistério - História

30 Questões

Psicólogo

30 Questões