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3396144 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Rondinha-RS
Provas:

Instrução: As questões de números 31 a 33 referem-se ao texto abaixo. Em caso de destaques ao longo do texto, eles estarão citados nas questões.

Descaminhos da Hipercorreção

01 ____ Chama-se de hipercorreção ao processo que leva a corrigir também quando não se deve

02 corrigir. Ou seja, na tentativa de ser correto, corrige-se demais.

03 ____ As fontes da hipercorreção são duas. Uma é a própria variação linguística, que sempre

04 envolve uma forma considerada correta e outra considerada errada. A segunda fonte é a vontade

05 de ser correto.

06 ____ Tomemos um caso como paradigma: o “l” de final de sílaba é, em geral, pronunciado como

07 semivogal (como se fosse um “u”): assim, “maldade” se pronuncia “maudade”.

08 ____ Uma das atividades escolares consiste em insistir na grafia correta. Ora, na mesma posição

09 ocorrem semivogais “de verdade”, como em “cauda” (rabo). Uma das atividades escolares

10 consiste em corrigir erros como “maudade”, o que levaria os alunos (e ex-alunos) a eliminar o “u”

11 nesta posição. Mas o mesmo trabalho que leva a acertar a grafia de “maldade” leva a errar a

12 grafia de “cauda”. Acrescente-se que existe também a palavra “calda”, a dos doces, o que ajuda a

13 complicar a questão: no limite, alguém pode trocar “u” e “l”, escrevendo “cauda” quando deveria

14 escrever “calda” e vice-versa (o mesmo ocorre em “auto / alto”, “mal / mau”).

15 ____ Muitos erros de grafia se devem a este fenômeno. Ao lado de escritas como “hoge” (hoje)

16 ou “pessa” (peça), previsíveis, dado o nosso sistema de escrita, ocorrem casos como os

17 comentados acima.

18 ____ Também há hipercorreções sintáticas, como o excesso de concordância. Uma das

19 características do português “popular” é a diminuição das flexões verbais. A terceira pessoa do

20 singular funciona como “curinga” das outras pessoas: casos extremos podem ser representados

21 por “eu vou / você vai / ele vai / nós vai / vocês vai / eles vai”, conjugação na qual só a primeira

22 do singular é diferente (parece inglês…). Ora, estas formas são corrigidas na escola, pelo menos

23 quando se decoram as conjugações. É uma pena, mas dificilmente se constrói uma espécie de

24 gramática contrastiva, o que seria bem interessante e penso que eficaz.

25 ____ “Flexionar mais” parece ser um imperativo. Não seria estranho dizer que formas como

26 “haviam muitas pessoas” e “fazem cinco anos” são efeito dessa vontade de acertar, de colocar

27 verbos no plural, que é o que se cobra sempre…

Considerando o último período do fragmento de texto (l. 25 a 27), avalie as afirmações que seguem, relativamente às regras de concordância de verbos impessoais:

I. Os verbos haver e fazer (na indicação de tempo), quando usados como impessoais, ficam na 3ª pessoa do plural.

II. passar de, na indicação das horas, deve ser flexionado na 3ª pessoa do plural, acompanhando o numeral.

III. O verbo chover, no sentido figurado, deixa de ser impessoal e, portanto, deve concordar com o sujeito.

Quais estão corretas?

 

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