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Os usos que fazemos da linguagem são motivados pelo contexto sócio-histórico no qual estamos inseridos. Isso quer dizer que os nossos pensamentos são organizados de acordo com as coerções impostas pela sociedade em que vivemos e pelos nossos conhecimentos adquiridos nas relações que mantemos com as outras pessoas.

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Houve um tempo, em nosso país, que a ditadura militar, através da qual os militares controlavam o governo em 1964, decidia, dentre outras coisas, o que se podia ou não dizer. Porém, este censura não atingia, de fato, a 100% das pessoas. Muitas destas eram contrárias a esse tipo de governo e sempre conseguiam uma forma de serem ouvidas. Claro que elas não poderiam dizer tudo o que quisessem de forma explícita. Daí surgiram alguns textos e canções que, por meio de metáforas, representavam a voz dos emudecidos pela ditadura.

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Chico Buarque, em companhia de Gilberto Gil, foi um dos artistas da época que burlaram as imposições da censura e conseguiram, com a ajuda de suas músicas, serem ouvidos pela sociedade. Um exemplo disso é o trabalho que estes autores fizeram quando compuseram a canção “Cálice”. Veja, a seguir, a transcrição da letra da música.

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CÁLICE

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Chico Buarque

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Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

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Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

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Como beber dessa bebida amarga

Tragar a dor engolir a labuta?

Mesmo calada a boca resta o peito

Silêncio na cidade não se escuta

De que me vale ser filho da santa?

Melhor seria ser filho da outra

Outra realidade menos morta

Tanta mentira, tanta força bruta

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Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

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Como é difícil acordar calado

Se na calada da noite eu me dano

Quero lançar um grito desumano

Que é uma maneira de ser escutado

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Esse silêncio todo me atordoa

Atordoado eu permaneço atento

Na arquibancada, prá a qualquer momento

Ver emergir o monstro da lagoa

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Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

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De muito gorda a porca já não anda (Cálice!)

De muito usada a faca já não corta

Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!)

Essa palavra presa na garganta

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Esse pileque homérico no mundo

De que adianta ter boa vontade?

Mesmo calado o peito resta a cuca

Dos bêbados do centro da cidade

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Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

Pai! Afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

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Talvez o mundo não seja pequeno (Cale-se!)

Nem seja a vida um fato consumado (Cale-se!)

Quero inventar o meu próprio pecado (Cale-se!)

Quero morrer do meu próprio veneno (Pai! Cale-se!)

Quero perder de vez tua cabeça! (Cale-se!)

Minha cabeça perder teu juízo. (Cale-se!)

Quero cheirar fumaça de óleo diesel (Cale-se!)

Me embriagar até que alguém me esqueça (Cale-se).

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Disponível em: <http://letras.mus.br/chico-buarque/45121/>. Acesso em: 15 jun. 2021.

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Levando em consideração o contexto em que a música foi produzida, é possível fazer algumas observações acerca de sua organização fonológica e, portanto, semântica. Você percebeu que, algumas vezes, o autor, em vez de usar o vocábulo “cálice”, opta pela expressão “cale-se” cuja forma ortográfica é diferente da primeira, mas que apresenta exatamente o mesmo som daquela, quando pronunciada.

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A opção dos autores por, algumas vezes utilizarem o vocábulo “cálice” e outras “cale-se”, não foi uma prática que aconteceu aleatoriamente. Com base nessa informação, responda (V) para verdadeiro e (F) para falso para as afirmavas a seguir:

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( ) A troca entre os vocábulos é possível devido à semelhança fonética que existe entre as palavras. Apesar de apresentarem ortografia diferentes, os sons que ambas produzem são iguais.

( ) vocábulo “Cálice” faz referência a uma espécie de vaso utilizado em celebrações religiosas. Já o vocábulo “cale-se” trata-se da flexão no imperativo do verbo calar, acompanhado do pronome oblíquo “se”, cuja carga semântica relaciona-se à ordem para que alguém se cale.

( ) A música de Chico Buarque foi composta pelo autor no período em que o Brasil passava por um momento político durante o qual artistas não sofriam censura por parte do governo militar. Dessa forma, visto que podiam se expressar livremente, os compositores abusavam das ideias, como a ambiguidade nas letras de suas canções.

( ) O autor buscava, por meio da canção, protestar contra a qualidade da bebida que lhe era servida.

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De cima para baixo assinale a alternativa que contém a sequência CORRETA:

 

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