MEIO AMBIENTE E DESIGUALDADE: O QUE O PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) NÃO MEDE
Se eu moro perto do trabalho, tenho o privilégio de andar até ele, isso não é registrado na contabilidade da economia. Se eu passo a morar longe, a usar condução, a ficar várias horas encalacrado no trânsito, o PIB vai aumentar, porque terei de pagar pelo combustível, pela depreciação do veículo, pelo serviço prestado e por uma terapia depois de três horas no trânsito.
O problema do PIB não é errar a magnitude, é errar o sinal da variação, A vida piorou, e o PIB aumentou, Se todas as fontes ficarem poluídas, e todos tiverem de comprar água purificada engarrafada, o PIB vai registrar aumento. Mas as pessoas terão de trabalhar mais para dispor da água. Monetariamente, o país enriqueceu, mas o povo empobreceu, Quando tiver de andar com garrafinha de oxigênio na cintura, O PIB vai crescer de novo.
O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos, sendo um dos indicadores mais utilizados para quantificar a atividade econômica de uma região. Porém, os números que usamos como medida das riquezas das nações, na esfera monetária, não medem as coisas mais importantes da vida A pessoa pode estar ganhando o suficiente para se manter e estar satisfeita com o trabalho. Ela muda para uma atividade que à atormenta, que a torna insatisfeita com a vida, mas ganhando mais O PIB aumenta, só que a vida da pessoa piora drasticamente. O tempo para desfrutar a vida, a cultura, para ler, não entra no PIB.
O mais importante para o futuro é ter incentivos adequados para que os consumidores passem a levar em conta o impacto ambiental. O preço relativo dos bens e serviços vai ter de mudar. Algumas coisas vão ficar mais baratas, e outras, muito extravagantes em termos de emissão de gás carbônico (CO2), vão ficar relativamente mais caras. A queima de CO2 foi gratuita e continua gratuita, mas não é gratuita na nossa vida. Geleiras estão derretendo. Canadá e Finlândia já estão incorporando o custo do CO2 aos preços de bens e serviços. O sistema de preços precisa trabalhar como aliado da causa ambiental. Não como inimigo. E é bom os setores começarem a se preparar. Há pressão no mercado de capitais, há investidores que já não compram mais ações de empresas ambientalmente muito visadas.
Somos sete bilhões de habitantes. O um bilhão que está no topo mais próspero é responsável pela metade de emissões de CO2, três bilhões por 45%, e três bilhões da base da pirâmide de renda respondem por 5% das emissões. E são eles que já estão pagando a conta da mudança climática. Temos de entender que há limite para aquilo que o crescimento pode trazer de bem-estar para uma sociedade.
EDUARDO GIANNETTI Adaptado de oglobo.globo'com, 19/03/2017.
O mais importante para o futuro é ter incentivos adequados para que os consumidores passem a levar em conta o impacto ambiental.
Para manter a coerência entre os sentidos dos verbos, ao conjugar o verbo “ser” no futuro do pretérito do modo indicativo, o verbo “passar assume a seguinte forma: