Atenção: Para responder às questões de números 1 a 6, baseie-se no texto abaixo.
Um diálogo instrutivo
Muitos entusiastas da Inteligência Artificial (14) continuam a insistir na venda da utopia de que as máquinas digitais não só serão capazes de simular a inteligência humana como, eventualmente, poderão superar a todos nós no nosso próprio jogo, o jogo de pensar, se comportar e viver como seres humanos. Costumo, nas minhas aulas, utilizar um diálogo hipotético entre um neurocientista (NJ é um pesquisador da área de inteligência artificial (PIA) para ilustrar o abismo que separa aqueles que, como eu, acreditam ser bem-vindo o uso da tecnologia para promover a melhoria da qualidade de vida das pessoas e aqueles que trabalham apenas com o objetivo de concretizar uma distopia. Eis aqui um momento desse diálogo:
N — Como você programaria o conceito de beleza em uma máquina da IA?
PIA — Defina um conceito de beleza para mim e eu posso programá-lo.
N - Esse é o problema central. Eu não posso definir beleza — você também não pode, tampouco outro ser humano que jamais viveu & experimentou a sensação de deparar-se com a beleza.
PIA —- Se você não pode defina de forma precisa, não posso programá-la, ela simplesmente não interessa. Ela não existe.
E, como cientista computacional, não me importo com ela.
N -— A sua mãe ou sua filha são bonitas?
PIA - Sim, elas são.
N -— E você pode definir por qué?
PlA - Não, eu não posso. Não posso programar a minha experiência subjetiva e pessoal no meu computador. Portanto, ela
não existe nem significa nada do ponto de vista científico.
N — Isso quer dizer que como você não pode quantificar a sensação de encontrar uma face bela, essa sensação é
irrelevante?
PIA - Basicamente, sim! Você entendeu o meu ponto de vista.
Assustador como esse diálogo pode soar, quando milhões de pessoas vivendo nestes tempos modernos já decidiram que qualquer coisa que uma máquina não possa fazer é irrelevante para a humanidade.
(Adaptado de NICOLELIS, Miguel. O verdadeiro criador de tudo. São Paulo: Planeta, 2020, p. 1563-164)
Considerando-se o contexto, traduz-se adequadamente um segmento do primeiro parágrafo do texto em: