Leia o texto para responder às questões de números 06 a 09.
O rei morreu, viva o rei!
A expressão foi usada pela primeira vez na coroação de Carlos VII, após a morte de seu pai, Carlos VI, numa França de 1422. Nem o Brasil ou o futebol existiam. Relembro-a agora porque perdemos um Rei. O Pelé que era de todos nós e que talvez tenha sido – dentre os que estão no nosso parco panteão de heróis com caráter – aquele que mais reuniu em sua figura as verdadeiras dimensões de um herói. Pois herói é quem enfrenta sem medo e com a honestidade do corpo as suas lutas, como foi o caso deste Pelé de três Copas, centenas de jogadas inigualáveis, mais de mil gols e nascido negro e na pobreza mineira de Três Corações.
Sua realeza vai além do gosto e da opinião. Era real porque Pelé foi praticante de uma atividade na qual o talento se expressa no seu estado mais puro e vivo. Foi dele a tarefa e o destino de transformar o mero desempenho esportivo numa autêntica arte performativa. Tal como fazem os grandes músicos. Os virtuosos, cujos movimentos tornam real o que mal pode ser imaginado e, assim, reúnem Beleza e Verdade.
De um lado, há o Edson Arantes do Nascimento; do outro, há o Pelé. Um é um homem negro comum que, sem o talento futebolístico, seria provavelmente pobre e certamente passaria despercebido. O outro é o Rei do Futebol. O herói que resgatou o orgulho e a esperança de vitória do povo brasileiro.
(Roberto DaMatta, O Estado de S. Paulo, 30.12.2022. Adaptado)
O enunciado cuja pontuação reproduz, com correção, a que foi adotada da passagem – De um lado, há o Edson Arantes do Nascimento; do outro, há o Pelé. – é: