Candoca era afilhado de meu avô. Tinha quebrado uma perna na roda do engenho na fazenda Paraíso, quando menino. Foi meu avô quem deu jeito e encanou com talas de taquarussu a perna. Candoca sarou, andou, porém ficou manco.
Por morte de meu avô e sem família, veio para a cidade grande e passou a fazer pequenos biscates. Onde trabalhava, comia e, se o serviço encompridava, também dormia. Ganhava seu dinheirinho. Devaneava como tantos e sonhava encontrar algum dia um pote de ouro que o deixasse rico.
Era ótima pessoa, ruivo, alegre, de olhos mansos. Toda gente gostava de Candoca e de quem ele gostava demais era de uma professora que, dedicada e paciente, antecipando a educação de adultos, lhe dera rudimentos de leitura e o ensinara a acertar pequenas contas.
Chamava a professora de mestra e tomava-lhe a bênção. Aliás, o tratamento de mestra e a bênção eram rigores de disciplina que perduraram em minha terra, Goiás.
Trabalhando de um lado para outro furando poço, preparando pasto, revirando terra para canteiros e arrancando pedra dos velhos quintais, o Candoca deu certo dia com a sonhada moringa de ouro enterrado.
Bem sonso e quietinho, tratou de esconder o achado em outro canto, só dele sabido.
Escondeu e ficou esperando Sizenando voltar de viagem para reverem juntos o achado, repartirem, transformarem a ourama em dinheiro e passarem a viver como lordes.
Isto por três razões. Primeiro, era amigo de verdade do Sizenando. Segundo, queria se casar com a irmã dele. Terceiro, pretendia um parceiro da boa sorte, pois, de acordo com as lendas: com quem descobre e aproveita ouro enterrado, pode acontecer desastre ou morrer logo.
(Cora Coralina. O tesouro da casa velha. Global editora. Adaptado)
Considere as passagens do texto.
• Candoca sarou, andou, porém ficou manco.
• Por morte de meu avô e sem família, veio para a cidade grande...
Os trechos destacados apresentam, respectivamente, as ideias de