Por Uma Vida Menos Ordinária
Silvia Sperling
Felizmente, mais uma vez, o dia 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo, será promotor de discussões densas e intensas sobre síndrome. Já no mês de março, com o retorno aulas, os meios de comunicação abriram espaço para o tema da inclusão escolar do autista e, quando na relação do autista com os demais colegas, sempre se levanta a questão do bullying e de quanto é tolerada a presença de uma pessoa tão diferente e com condutas tão distantes do considerado normal.
Acredito que o bullying não deve ser visto de um só ângulo, pois existe uma diferença crucial nos tipos de comportamentos inadequados para com o diferente. maus tratos verbais e físicos por parte de pessoas malévolas e de mau caráter, que independem do fator educação. Pessoas sociopatas ou perversas se satisfazem em ver o sofrimento alheio e ignoram o sentimento do outro; portanto não há como incutir a mudança de atos que geram dor e tristeza. Nessa forma de discriminação, as atitudes cruéis devem ser denunciadas e punidas.
No caso das situações mais comuns de preconceito e de constrangimento ao outro, temos como base a ignorância. Não falo no sentido pejorativo da palavra, mas realmente da falta de conhecimento. É aí que podemos e devemos atuar. Eu, como mãe de uma criança autista, relatando as agruras do meu cotidiano e a esperança depositada no futuro. Os terapeutas, educadores e cientistas, compartilhando o saber sobre a gênese da doença, suas repercussões, estratégias educacionais e avanços da medicina.
Conquistamos mais respeito para nossos autistas à medida que ganhamos mais espaço para desvelar a doença autismo. Mostrando os rostos das pessoas acometidas pelo transtorno, suas histórias, habilidades e deficiências. Apresentando nossos temores, lutas e anseios como familiares. Dessa forma, construiremos uma sociedade mais tolerante, com menos olhares de reprovação e ofensas gratuitas. Moldaremos uma geração futura de adultos conscientes da diversidade humana e do papel individual no auxílio ao deficiente, e da aceitação do que não corresponde ao padrão de normalidade.
As pessoas que olham de maneira “atravessada” a comportamentos bizarros e descomedidos, quando impregnadas de informação sobre os motivos que levam alguns indivíduos a agirem desta maneira, mudam sua postura de afronta e passam para uma atitude mais compreensiva e, algumas vezes, até colaborativa. E, crianças, crescendo no convívio com o diferente, começam a considerar a diferença usual.
Assim: falando, debatendo e escrevendo é que iremos proporcionar uma vida mais digna e plena para todos os autistas de nosso país, com olhares mais ternos e que além do que o corpo inquieto revela.
(In: Correio do Povo. 1º de abril de 2013. Pág. 2)
Assinale a alternativa que completa correta e respectivamente os espaços pontilhados das linhas 2, 3, 4, 8 e 32 do texto.