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441835 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: UFRN
Orgão: UFRN
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Preparador, revisor, corretor e professor?

A formação do professor de línguas, no século XX ou no XXI, não costuma focalizar aspectos da produção editorial. É mais comum que a preocupação com aspectos pedagógicos e linguísticos predomine sobre qualquer aspecto mais voltado à produção gráfico-editorial. O lugar do profissional de edição foi (e ainda está) se consolidando na Comunicação Social e em suas habilitações, especialmente em Editoração, Produção Editorial ou Jornalismo.

Dado esse cenário de formação, é comum que editores e produtores prefiram contratar profissionais de Comunicação para as etapas da edição anteriores à diagramação. O professor de língua (especialmente materna) costuma ser lembrado quando o problema é a revisão de texto, fase adiantada da produção pós-diagramação, quando a tarefa editorial é a verificação e a “caça aos erros”. Daí certa fama normativista do “professor de português”, também conhecido como “corretor”.

Os tipos de intervenção que os profissionais de revisão fazem nos textos também são objeto de discussão e pesquisa. Normalização, correção ortográfica, sintática e estrutural são aspectos formais comumente tocados pelo revisor. E o conteúdo, a quem cabe? Problemas de layout dizem respeito ao revisor? Até que ponto se pode “mexer em um texto”? Quais são os limites entre retextualização, reescrita, edição e rev isão? Com que intensidade pode ocorrer o diálogo entre revisor e autor? Algumas editoras mantêm certa distância entre ambos, optando pela mediação do editor. Outras instituições preferem uma negociação direta entre autor e revisor, estabelecendo entre eles uma relação de confiança.

[...] Assis (2006) cita Serafini e Ruiz ao relembrar os tipos de correção propostos pelas duas autoras. Para Serafini (1989), as correções seriam de tipo resolutivo (quando o revisor resolve os problemas encontrados no texto), indicativo (o revisor apenas marca os problemas) e classificatório (o revisor utiliza metalinguagem para indicar os problemas). Ruiz (2001) amplia essas categorias, propondo a revisão interativa, quando o revisor dialoga com o autor, dando sugestões e discutindo aspectos do texto. Segundo as autoras, o último tipo de correção subsidia muito mais a construção da autoria e a aprendizagem da escrita.

[...] É importante salientar, no entanto, que as práticas editoriais costumam regular a atuação desses profissionais em relação aos tipos de intervenção preferíveis em dada etapa da produção. Editores de texto e preparadores têm condições de atuar interativamente, já que é nessa fase que ocorre a busca pelo “texto definitivo” ou, ao menos, “decidido”, normalmente, em negociação com o autor; enquanto que revisores (pós - diagramação) atuam de maneira resolutiva, evitando comentários, dúvidas e metalinguagem. Nessa etapa, questionamentos e sugestões muito longas podem comprometer os custos e os prazos do projeto.

A prática da revisão de textos para o mercado editorial tem propósitos bastante diversos daqueles que costumam se estabelecer em sala de aula, no ensino da escrita. [...] Matencio (2002) afirma que é “desejável” “tratar a reescrita como atividade distinta da re visão”, já que os “eventos de interação” que envolvem esta prática são completamente distintos. É disso que queremos nos aproximar quando dizemos que a preparação de originais é mais ajustada a uma ação interativa (revisor, texto, editor, autor) e a revisã o se coloca entre as intervenções de tipo resolutivo, em geral, no trabalho concentrado do profissional e na aprovação (ou não) do autor, sem tanta negociação. [...]

Não raro, editores delegam preparação e revisão a profissionais inexperientes (por custo menor da produção), optam por fazer apenas a revisão (em geral, no momento errado do processo) ou mesmo eliminam essa etapa do fluxo, alegando ser ela desnecessária (já que autores “escrevem bem” ou algo assim). Projetos mal-revisados e mal-preparados podem representar riscos altos, inclusive financeiros. Apenas a título de exemplo, as avaliações do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), em suas fichas padronizadas aos pareceristas, consideram “erros de português” pontos eliminatórios para as obras submetidas ao processo. É interessante comentar que esses “erros” estão diretamente relacionados com uma concepção de língua e linguagem muito ligada aos gêneros de texto e aos estilos das obras em análise pelos especialistas.

RIBEIRO, Ana Elisa. Revisão de textos e “diálogo” com o autor: abordagens profissionais do processo de produção e ediçã

textual. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 32. Curitiba, 2009. [Anais eletrônicos...]. Curitiba: Intercom, 2009.

Disponível em: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2009 /resumos/R4-2050-1.pdf>. Acesso em: 16 maio 2013.

De acordo com as regras de utilização do hífen, algumas das quais alteradas pelo Novo Acordo Ortográfico (1990), estão corretamente grafadas as palavras

 

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