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2563266 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: URI
Orgão: Pref. Santo Ângelo-RS
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O intérprete de Libras

Os alunos surdos precisam ser acompanhados com o auxílio do intérprete da Língua de Sinais, profissional fluente na língua falada/sinalizada do seu país, qualificado para desenvolver essa função (Barbosa-Junior, 2011). Esse profissional precisa realizar a interpretação de uma língua falada para a sinalizada e vice-versa. De acordo com Quadros (2004, p. 27), o tradutor intérprete de Língua de Sinais é aquele “profissional que domina a Língua de Sinais e a língua falada do país e que é qualificado para desempenhar a função de intérprete da Libras. No Brasil, o intérprete da Língua de Sinais deve dominar a Língua Brasileira de Sinais e a língua portuguesa”. [...]

No momento de uma interpretação, o intérprete da Libras precisa mostrar-se totalmente imparcial, sem interferência de opinião pessoal; deve passar confiança e manter sigilo caso lhe seja pedido; deve saber estabelecer limites no envolvimento durante sua atuação e prezar pela fidelidade oral, textual, ou seja, jamais alterar ou opinar a cerca do assunto em questão (Lacerda, 2000). Quadros (2004, p. 28) expõem de forma enfática os pressupostos deste profissional: realizar a interpretação da língua falada para a língua sinalizada e vice-versa observando os seguintes preceitos éticos: a) confiabilidade (sigilo profissional); b) imparcialidade (o intérprete deve ser neutro e não interferir com opiniões próprias); c) discrição (o intérprete deve estabelecer limites no seu envolvimento durante a atuação); d) distância profissional (o profissional intérprete e sua vida pessoal são separados); e) fidelidade (a interpretação deve ser fiel, o intérprete não pode alterar a informação por querer ajudar ou ter opiniões à respeito de algum assunto, o objetivo da interpretação é passar o que realmente foi dito).

Esses são alguns requisitos ligados ao intérprete; por essa razão, o professor, ao questionar, precisa estar ciente de tais interpostos interpretativos, ou seja, se o que ele está explicitando está sendo realmente transmitido ao aluno surdo (Barbosa-Junior, 2011). O intérprete deve ser competente para exercer sua função sem que haja desconfiança quanto ao profissionalismo. [...]

A atuação do intérprete é de suma importância, pois sem a sua presença se torna impossível para o aluno surdo adquirir conhecimentos e absorver conteúdos ministrados na aula pelo professor ouvinte. Assim, afirmam Lacerda et al. (2011, p. 5), “o objetivo principal não é apenas traduzir, mas buscar, juntamente com o professor, meios diferenciados de ensino para que o aluno surdo possa ser favorecido por uma aprendizagem especificamente elaborada e pensada e, consequentemente, eficiente”.

Sendo assim, cada profissional deve reconhecer seu papel nesse processo de inclusão escolar, pois tem uma função diferenciada do professor e não deve de maneira alguma ocupar o lugar do professor, ou seja, jamais substituir-lhe na sua ausência (Lacerda, 2002; Quadros, 2004). A função do professor não é tão somente ensinar, mas a do intérprete é apenas interpretar. Lacerda et al. (2011, p.18) afirmam que é necessário que haja uma mudança de postura por parte do professor, que também tem o dever, como educador, de auxiliar o intérprete da Língua de Sinais em suas práticas. Se o professor não assumir práticas que favoreçam a atuação do intérprete da Língua de Sinais, consequentemente, a compreensão do aluno surdo ficará comprometida.

Severina Mariano da Silva Almeida
Eduardo Beltrão de Lucena Córdula
http://educacaopublica.cederj.edu.br/revista/artigos/o-papel-do-interprete-de-libras-no-processo-de-ensino-aprendizagem-doa-alunoa-surdoa - texto adaptado.

Considere os seguintes itens a respeito das ideias do texto:

I. Os autores do texto, ao abordarem as responsabilidades e funções do intérprete de Libras, deixam claro que atuação desse profissional é exclusiva das salas de aula, já que “A atuação do intérprete é de suma importância, pois sem a sua presença se torna impossível para o aluno surdo adquirir conhecimentos...”.

II. Para desempenhar a função de intérprete de Língua de Sinais no Brasil, é preciso que esse profissional tenha o domínio da Língua Brasileira de Sinais (Libras) e da língua falada no país, no caso a língua portuguesa.

III. O intérprete da Libras deve atentar para a fidelidade no momento da interpretação de forma a garantir a originalidade do que está sendo transmitido. Porém, em se tratando de sala de aula, caso as explicações do professor se apresentem com certo grau de dificuldade, o intérprete pode valer-se de seus conhecimentos e de suas experiências de modo a tornar as explicações mais fáceis e, assim, facilitar a compreensão por parte do aluno surdo.

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