Magna Concursos
3433664 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: Pref. Vitória Conquista-BA
Provas:

O Imperador da Língua Portuguesa

Quem entra no santuário de Santo Antônio em Franca pode ver à esquerda do altar principal grande mural que mostra o padroeiro pregando aos peixes. Antônio de Lisboa em Portugal e de Pádua no Brasil, o célebre orador tem seu aparelho fonador exposto como relíquia no santuário da cidade italiana de Padova, à qual acorrem milhares de fiéis ao longo do ano e especialmente na data de nascimento do patrono, 13 de junho.

A biografia impressiona. Ele nasceu em Lisboa, em 1195, numa família de escrivães que serviam à Corte. Fez os primeiros estudos com brilhantismo e se tornou agostiniano ainda muito jovem. Um encontro com Francisco de Assis o impactou tanto que ele se filiou à ordem franciscana, ainda em implantação. Viveu apenas 36 anos, transitou entre Portugal e Itália, protagonizou milagres para alguns e apenas lendas para outros.

Conta-se que Antônio falava em Rimini (cidade litorânea do que ainda viria a ser o território italiano) a um grupo de ateus, tentando convertê-los ao cristianismo. Entretanto, sendo desconsiderado e ironizado, afastou-se e buscou uma praia do Adriático, conclamando os peixes a ouvi-lo. Foi com espanto que os presentes viram assomar à superfície peixes de vários tamanhos, nadando de um lado para outro à procura de seus semelhantes para com eles se juntarem. E assim o fazendo, agruparam-se por espécie e colocaram a cabeça para fora da água a fim de ouvir melhor o pregador.

Cerca de cinco séculos depois, outro Antônio, de sobrenome Vieira, também pregador, igualmente de origem portuguesa, mas pertencente a outra ordem religiosa, a dos jesuítas, tomou a narrativa popular como tema para uma de suas mais célebres peças literárias, o “Sermão de Santo Antônio aos Peixes”, proferido no dia 13 de junho de 1661, no Maranhão. Os dois Antônios estavam separados por quinhentos anos, mas unidos por uma nacionalidade, a lusitana; um talento, a oratória; e uma causa maior, o cristianismo.

Lisboeta, Antônio Vieira veio ainda criança para o Brasil com a família que estava a serviço da Corte. [...] Talvez por ser neto de africana, desde cedo manifestou interesse pela diversidade humana, por hábitos diferentes e línguas estrangeiras. Em trabalho missionário durante oito anos no Pará e Maranhão aprendeu sete idiomas indígenas e ficou conhecido junto das tribos como “Pai Grande”, por defender os índios de maus tratos aos quais eram submetidos pelos colonos portugueses.

O “Sermão de Santo Antônio aos Peixes” é perfeita expressão barroca, onde mediante argumentação poderosa e belas imagens de potente plasticidade, o autor condena de forma enfática a escravização do índio.

[...]

Antônio Vieira foi banido do Maranhão em 1661. Fixou-se então na Bahia e fez algumas viagens diplomáticas à Europa. Retornou de vez ao nosso país no final da vida, para ordenar, editar e publicar seus 200 sermões e outras peças literárias. Morreu em Salvador, num dia de junho, 17, aos 89 anos.

Neste mês de coincidências, que celebra algumas datas referentes à nossa cultura, uma delas o dia 10 dedicado à Língua Portuguesa, falou-se na mídia e nas redes sociais sobre Luís de Camões e Fernando Pessoa. Nada vi sobre o Padre Vieira, a quem o magnífico poeta de “Mensagem” chamou, com justiça e conhecimento de causa, “Imperador da Língua Portuguesa”.

Texto adaptado de: Fonte: O Imperador da Língua Portuguesa (sampi.net.br). Acesso em: 02 de jul. 2023.

Para o trabalho de leitura, em sala de aula, é necessário orientar os alunos no sentido de estabelecerem relações, reportando, muitas vezes, a outros textos. Assinale a alternativa em que o trecho evidencia uma intertextualidade existente no texto.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Professor - Português

70 Questões