Teogonia 116-134
“Primeiro que tudo surgiu o Caos, e depois Gaia [Terra] de amplo peito, para sempre firme alicerce de todas as coisas, e o brumoso Tártaro num recesso da terra de largos caminhos, e Eros, o mais belo entre os deuses imortais, que amolece os membros e, no peito de todos os deuses e de todos os homens, domina o espírito e a vontade ponderada. Dos Caos nasceram o Érebo e a negra Noite; e da Noite, por sua vez, surgiu o Aither e o Dia, que ela concebeu e deu à luz depois da sua ligação amorosa com Érebo. E a Terra gerou primeiro Úrano [céu] constelado, igual a ela própria, para a cobrir e toda a volta, e para ser eternamente a morada segura dos dos deuses bemaventurados. Deu à luz, em seguida, as altas Montanhas, retiros aprazíveis da Ninfas divinas, que habitam nas montanhas arborizadas. Também deu à luz o mar estéril, que se agita com as suas vagas, o Ponto, sem deleitoso amor; e seguidamente, tendo partilhado o leito com Úrano, gerou Okeanos dos redemoinhos profundos, e Coio e Crio e Hipérion e Jápeto...
Hesíodo (século VIII a.C.), autor da Teogonia (aquele que sintetizou as antigas histórias míticas sobre o surgimento dos deuses), faz recuar a ascendência dos deuses até o princípio do mundo, com a produção dos constituintes cósmicos, como Úrano (céu), até a gradual geração de personagens míticas, vagas, mais inteiramente antropomórficas, como os Titãs.”
(KIRK, RAVEN, SCHOFIELD. Os filósofos pré-socráticos.
Tradução: Carlos Alberto Louro Fonseca. 4ª ed. LISBOA:
Fundação Calouste Gulbenkian, 1994, p. 30)
Porém, todos da primeira geração que nasceram de Gaia e Úrano tiveram como destino: