Texto
O Rio Severino
Um tísico à míngua espera a tarde inteira
Pela assistência que não vem
Mas vem de tudo n'água suja, escura e espessa deste
Rio Severino, Morte e Vida vêm
Mas quem não tem ABC não pode entender HIV
Nem cobrir, evitar e ferver
O rio é um rosário cujas contas são cidades
À espera de Deus que dê
Quem possa lhes dizer
Me diz o que é que você tem
O que é que eu posso te dizer?
Me diz o que é que você tem
É muita gente ingrata reclamando de barriga d'água cheia
São maus cidadãos
É essa gente analfabeta interessada em denegrir
A boa imagem da nossa nação
És tu Brasil, ó pátria amada, idolatrada
Por quem tem acesso fácil a todos os teus bens
Enquanto o resto se agarra no rosário, e sofre e reza
À espera de um Deus que não vem
(Herbert Vianna. © Edições Musicais Tapajós.)
Compare os versos:
“Um tísico à míngua espera a tarde inteira / Pela assistência que não vem”
“À espera de um Deus que não vem”
Em relação aos termos em destaque, podemos afirmar que:
I - A palavra “espera” rege preposições diferentes nas duas ocorrências. Na primeira ocorrência, “espera” é uma forma verbal que rege a preposição “de”, enquanto, na segunda, é um substantivo, que rege a preposição “por”.
II - Os complementos do termo “espera” em destaque nas duas ocorrências são “pela assistência” e “de um Deus”, respectivamente.
III - Tendo em vista o contexto exposto no texto, poderíamos afirmar que os possíveis termos regidos pelo nome “assistência” podem ser, entre outros, “à saúde” e “do governo”.
Está(ão) CORRETA(S) a(s) afirmativa(s):