Do mito ao preconceito: os comandos paragramaticais
Em trabalho anterior (Bagno, 1999) fiz uma análise do preconceito linguístico imperante na sociedade brasileira por meio dos mitos que o compõem. Pouco depois de publicá-lo, tomei ciência do lançamento, na Inglaterra, do livro Language Myths, organizado por Bauer & Trudgill (1998). Nessa obra, 21 mitos sobre as línguas em geral e mais especificamente sobre a língua inglesa são examinados e confutados por mais de duas dezenas de sociolinguistas, numa estratégia de abordagem dos temas curiosamente muito semelhante à que adotei em meu próprio trabalho. Os dois livros se caracterizam por tentar uma apresentação menos acadêmica das noções da Linguística e mais acessível ao leitor não especializado. Como dizem os editores da coletânea inglesa (1998: xv),
nosso conhecimento sobre a linguagem tem se expandido num ritmo fenomenal durante a última metade do século XX. Os linguistas andaram ocupados mantendo-se em dia com este conhecimento em expansão e explicando suas próprias descobertas a outros linguistas. Os linguistas mais influentes são aqueles que deram as mensagens mais importantes para outros linguistas, e não para o público geral. Por várias razões (incluindo a natureza altamente técnica de parte do trabalho), muito poucos deles têm tentado explicar seus achados a uma audiência leiga.
Foram reflexões semelhantes que me encorajaram a escrever Preconceito linguístico: o que é, como se faz (1999, 42000), um livro que visa levar algumas noções básicas da Linguística a uma “audiência leiga” mas, sobretudo, aos professores de língua portuguesa que, em sua maioria, recebem uma formação quase exclusivamente normativo-prescritivista (ideológica, portanto) e não têm familiaridade com o tratamento científico de questões pertinentes à sua atividade profissional. Igual intenção presidiu a composição de A língua de Eulália (1997, 52000), em que procurei analisar mais detidamente a irracionalidade do preconceito que pesa sobre os falantes de variedades linguísticas consideradas não padrão.
(In: BAGNO, Marcos. Dramática da língua portuguesa. Tradição Gramatical, Mídia & Exclusão Social. Edições Loyola: São Paulo, 2000. P.45-46)
Considere os seguintes fragmentos do texto e analise as proposições a seguir.
1º. “...fiz uma análise do preconceito linguístico imperante na sociedade brasileira por meio dos mitos que o compõem.”
2º. “Os linguistas mais influentes são aqueles que deram as mensagens mais importantes para outros linguistas...”
3º. “Foram reflexões semelhantes que me encorajaram a escrever Preconceito linguístico: o que é, como se faz (1999, 42000), um livro que visa levar algumas noções básicas da Linguística...”
4º. “... aos professores de língua portuguesa que, em sua maioria, recebem uma formação quase exclusivamente normativo-prescritivista...”
I. Em todos os fragmentos, a palavra que é pronome relativo.
II. No 1º fragmento, ocorre o caso de um sujeito elíptico, tanto referente ao verbo fazer, como ao verbo compor.
III. A palavra influentes, no 2º fragmento, pode ser substituída, sem prejuízo de significado, pelo adjetivo importantes.
IV. No 3º fragmento, o termo “reflexões semelhantes” é, ao mesmo tempo, objeto direto do verbo ser e sujeito do verbo escrever.
V. As duas vírgulas presentes no 4º fragmento podem ser substituídas por duplo travessão.
Está (estão) correta(s):