Magna Concursos
2473115 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: URI
Orgão: Pref. Condor-RS
Provas:

A mudança na concepção de ensino

Em 1997, o Ministério da Educação publicou uma coleção de documentos intitulados Parâmetros Curriculares Nacionais. Neles estavam reunidas propostas para a renovação do ensino nas escolas brasileiras, e todas as disciplinas foram contempladas – língua portuguesa, matemática, história, geografia, ciências etc. Abrindo os PCN (sigla com que ficaram conhecidos) de língua portuguesa dedicados às séries iniciais do ensino fundamental (1ª a 4ª), a gente encontra, na p. 26, o seguinte trecho (realces nossos):

A Língua Portuguesa, no Brasil, possui muitas variedades dialetais. Identificam-se geográfica e socialmente as pessoas pela forma como falam. Mas há muitos preconceitos decorrentes do valor social relativo que é atribuído aos diferentes modos de falar: é muito comum se considerarem as variedades linguísticas de menor prestígio como inferiores ou erradas. O problema do preconceito disseminado na sociedade em relação às falas dialetais deve ser enfrentado, na escola, como parte do objetivo educacional mais amplo de educação para o respeito à diferença. Para isso, e também para poder ensinar Língua Portuguesa, a escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma “certa” de falar — a que se parece com a escrita — e o de que a escrita é o espelho da fala — e, sendo assim, seria preciso “consertar” a fala do aluno para evitar que ele escreva errado. Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a forma de falar do aluno, tratando sua comunidade como se fosse formada por incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos, por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico.

Esse parágrafo já é suficiente para que a gente identifique nesse documento oficial uma importante mudança na concepção de ensino de língua nas escolas brasileiras. Embora trazendo a data de 1997, esse texto na verdade revela o impacto produzido, na política educacional, por uma ampla discussão que já vinha sendo empreendida nas universidades brasileiras desde pelo menos vinte anos antes da publicação dos PCN.

Ao lado de outros aspectos igualmente importantes para a renovação do ensino de língua no Brasil, os PCN introduziram alguns conceitos até então pouco conhecidos na prática docente, conceitos provenientes de uma disciplina relativamente nova dentro dos estudos da linguagem, a Sociolinguística.

(In: Bagno, Marcos. Nada na língua é por acaso: por uma pedagogia da variação linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 2007. p. 27-28).

Leia as seguintes afirmações acerca do texto II.

I. O texto retoma a discussão do texto I, reiterando a temática abordada na obra Language Myths.

II. Os PCN, publicados em 1997 pelo Ministério da Educação, contemplam exclusivamente as disciplinas de Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia e Ciências, já que essas são a base do ensino fundamental.

III. O fragmento dos PCN permite identificar uma nova concepção em termos do ensino de Língua Portuguesa, calcada em objetivos mais amplos como o de ensinar aos alunos, de forma eficaz, a diferença entre o certo e o errado em relação à fala e à escrita.

Segundo o texto:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Professor - Português

30 Questões