Leia um trecho do texto “O mercado bilionário dos concursos”, que foi postado em 18 de novembro de 2011 no site www.ecaderno.com. Nesse texto, são usados diferentes elementos que contribuem para a produção de sentidos nos seis parágrafos.
O mercado bilionário dos concursos
O Ecaderno foi atrás das consequências do aumento na oferta e na procura por concursos públicos no Brasil. Um ciclo de investimentos que chega a movimentar R$ 30 bilhões por ano.
Não há mais como negar o peso dos concursos públicos no Brasil. O boom na oferta de vagas e o aumento significativo do número de candidatos nos dias atuais mudou a forma como a sociedade pensa no futuro profissional. Esta realidade é fruto de profundas mudanças ocorridas, principalmente, de três décadas para cá. Depois de passar por crises, enfrentar baixos salários e desprestígio profissional, o servidor público agora desponta como cargo preferido pela maioria dos brasileiros.
E cada vez mais concorridos, os concursos trouxeram para o setor público a dedicação e a qualidade de candidatos que investem pesado na preparação para as provas, estudando muito, mas também gastando elevadas quantias com cursinhos, materiais e taxas de inscrição. Hoje, o que move tantos concurseiros é a promessa de melhores salários, uma valorização cada vez maior da carreira pública e a certeza da estabilidade. No meio de toda a oferta e procura por cargos públicos, o ciclo de investimentos e lucros do mercado dos concursos torna-se cada vez maior e mais forte. Um mercado bilionário.
Um levantamento feito em 2009, com base em dados da Pesquisa Nacional de Amostragem de Domicílios, o PNAD, realizada pelo IBGE, estimou que todos os anos, cerca de dez milhões de brasileiros estejam estudando para prestar algum concurso público. A pesquisa levou em conta tanto aqueles que estão matriculados nos cursinhos preparatórios espalhados pelo país, como aqueles que se dedicam a estudar em casa. Isso significa que, na prática, 5% da população brasileira se prepara para conquistar uma vaga no serviço público.
Segundo o Ministério do Planejamento, só neste ano, devem ser preenchidas cerca de 20 mil vagas, apenas no âmbito do Poder Executivo Federal. Contando os concursos municipais e estaduais, cerca de 80 mil postos estão programados para serem abertos até 2012. O corte no orçamento da União, proposto pelo Ministério do Planejamento neste ano, tentou diminuir a oferta de vagas de concursos apenas para casos de real necessidade. Mesmo assim, grandes concursos como o dos Correios e o Banco do Brasil já saíram. E outros, como INSS e Polícia Federal estão com editais a postos.
Segundo o advogado e especialista na área de concursos, Valério Ribeiro, o fenômeno dos concursos é hoje uma via sem retorno. “Falar em diminuição de vagas, em diminuição de candidatos ou mesmo diminuição de concursos é um retrocesso que obviamente não ocorrerá”, afirma. Para Valério, o corte não afetou o mercado dos concursos neste ano. Ele cita uma única justificativa para isso: é necessária a contratação. “Mesmo que se segure ou retenha um pouco os investimentos, a necessidade de contratação é iminente, mais cedo ou mais tarde ela tem que ocorrer”, assegura Valério.
O mercado dos concursos gira em torno de investimentos dos candidatos em seus estudos, desde o pagamento de cursinhos, até a compra de material e as altas taxas de inscrição. Por outro lado, os cursinhos, as editoras e as bancas organizadoras lucram. A partir daí a escala de serviços comprados e oferecidos dentro deste setor se torna tão vasta que se perde a dimensão.
Com base na leitura do trecho apresentado, assinale a alternativa correta.