Instrução: As questões de números 01 a 10 referem-se ao texto abaixo.
Socorro, barata!
- Meu marido costuma perguntar-me: para onde estás olhando? Brinca que se uma manada
- de elefantes estiver marchando na calçada eu casualmente estarei reparando em alguma folhinha
- caída. Há uma exceção: tudo isso altera-se radicalmente quando o assunto é barata.
- A simples presença desse inseto dito inofensivo torna-me uma observadora ninja. Não há ruído
- dele que escape aos meus ouvidos apurados, e os olhos são capazes de visão noturna. Entre a
- percepção e o ataque de pânico costuma não haver lapso. Ondas de calafrios me percorrem e
- fico em pânico de que a barata me toque.
- Graças a essa fraqueza, sinto empatia com o drama dos pequenos, que gritam apavorados
- ao serem obrigados a aproximar-se do Papai Noel, de um cachorro ou do que for seu objeto
- fóbico. Isso acontece porque no começo da vida temos dificuldade de diferenciar onde termina o
- eu e começa o outro, assim como o que vem de dentro e de fora do corpo. Também nem sempre
- é fácil distinguir os adultos amorosos e confiáveis dos monstros. Já na escuridão, sentem-se
- diluídos, sem contornos, o que é fonte dos terrores noturnos. Para todos esses males, temer uma
- figura facilmente encontrável organiza a geografia do perigo, tornando-o mais passível de
- controle: se o medo se focar no cachorro da vizinha, que sempre late quando passamos, ou no
- Papai Noel de shopping, basta evitá-los e estaremos seguros. O pequeno apavorado não tira os
- olhos do monstro, mantendo-o na mira.
- Meu problema com as baratas é comum entre as mulheres que, tradicionalmente confinadas,
- partilharam o destino das crianças. A privacidade da casa era um não lugar, sua voz não fazia
- diferença, seu pensamento não era chamado a participar. Nunca sabiam bem quem eram, pois a
- identidade não vinha dali. Reinavam, mas num território de exílio dos homens públicos, em
- contato com a roupa suja dos patriarcas, em sentido real e figurado. Longe dos ritos sociais, que
- protegem e organizam o corpo e as ideias, convivendo com as fraquezas, doenças e vilanias dos
- que se bancam fortes e ________ lá fora, elas sentiam medo. A barata, forma __________ da
- sujeira imune mesmo à limpeza mais __________, é o pesadelo da mulher. Representa seu
- trabalho repetido de Sísifo, o castigo da sujeira invencível. Como todo objeto fóbico, deve ser
- próximo e assíduo.
- Frágeis como crianças, em seu mundo isento dos direitos civis e cheio de deveres servis, as
- fêmeas elegeram na barata um perigo que pode ser mapeado e combatido. Hoje isso não faria
- mais sentido, pois também somos uma figura pública, mas continuamos em pânico. Talvez ainda
- estejamos marcadas pelo longo período de dependência. Para mim, pelo menos, nada no mundo
- parece tão reconfortante quanto a paz que se instala uma vez que o monstro, de borco, cessa de
- espernear para sempre.
(Fonte: Zero Hora. Sábado, 3 de janeiro de 2015 – Adaptado. Disponível em:
http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/page/2/?topo=13%2C1%2C1%2C%2C%2C13)
Relacione a Coluna 1 com a Coluna 2, a respeito do emprego da vírgula e de suas ocorrências no texto.
Coluna 1
1. Linha 05.
2. Linha 12.
3. Linha 13 (primeira ocorrência).
4. Linha 30 (primeira ocorrência).
Coluna 2
( ) Separa orações coordenadas.
( ) Separa orações subordinadas.
( ) Separa uma oração adverbial deslocada.
( ) Separa termos de mesmo valor sintático.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: