Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.
Os preconceitos linguísticos no discurso de quem vê nos estrangeirismos(a) uma ameaça têm aspectos comuns a todo tipo de posição purista(a), mas têm também matizes próprios. As línguas humanas estão em constante movimento, por variação e mudança dentro da comunidade linguística, de uma geração para outra, sendo o contato entre os dialetos e línguas uma força motriz comum e de grande relevância nesse processo. Ou seja, empréstimos, sempre houve e sempre haverá.
Embora seja insustentável(b), a crença de que o empréstimo possa conservar para sempre o seu caráter insidiosamente alienígena, distinguindo os colaboracionistas dos patriotas, é uma face do raciocínio pseudolinguístico(d) que é crucial para o caráter aparentemente progressista do discurso antiestrangeirismos(d). Se, por um lado, associamos o preconceito ao conservadorismo, a ideia de que o uso de estrangeirismos significaria uma estratégia deliberada de exclusão(c) faz com que seu combate se justifique como parte de uma militância política crítica, progressista, de inclusão(c) democrática(d). O raciocínio é o de que o cidadão que usa estrangeirismos – ao convidar para uma happy hour, por exemplo – estaria excluindo quem não entende inglês, sendo que aqueles que não tiveram a oportunidade de aprender inglês, como a vastíssima(c) maioria da população brasileira, estariam assim excluídos do convite. Expandindo(e) o processo, por analogia(b), para outras tantas situações de maior consequência, o uso de estrangeirismos seria um meio linguístico de exclusão social.
O equívoco desse raciocínio linguisticamente(a) preconceituoso(e) não está em dizer que esse pode ser um processo de exclusão. O equívoco(c) está, por um lado, em não ver que usamos a linguagem, com ou sem estrangeirismos, o tempo todo, para demarcarmos(e) quem é de dentro ou de fora do nosso círculo de interlocução, de dentro ou de fora dos grupos sociais aos quais queremos nos associar ou dos quais queremos nos diferenciar. Há, pois, diversas maneiras de fazer exclusão pelo uso da linguagem, dentre elas o uso de estrangeirismos – possivelmente, uma das menos eficazes, porque muito evidente (parece bem mais eficaz uma outra estratégia: a exigência de uso da variedade da língua falada pelas classes dominantes como única forma legítima de acesso à mobilidade social e ao poder!).
Adaptado de: GARCEZ, P. M; ZILLES, A. M. S.
Estrangeirismos: desejos e ameaças. In: FARACO, C. A. Estrangeirismos: guerras em torno da língua. 3ª ed. São Paulo: Parábola, 2004.
Assinale a alternativa que apresenta apenas palavras formadas por derivação sufixal.