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Leia o texto para responder às questões de números 11 a 15.

O amor de estranhos

Miguel Flores é um meteorologista célebre em Buenos Aires, que nunca errou uma única previsão em 20 anos de carreira e acaba de ganhar um programa de tevê só seu, em horário nobre. Mas justo na estreia, quando ele comunica que aquela noite será de céu limpo e temperatura amena, desaba uma tempestade de granizo sobre a capital argentina, destruindo carros, ferindo pessoas, matando cães. É o suficiente para o meteorologista ir do céu ao inferno. Passa a ser ofendido por vizinhos e vê seguidores sumirem das redes, assim como o prestígio.

Este é um breve resumo de “Granizo”, filme meio cômico, meio absurdo, que me fez refletir sobre nossa dependência da aceitação dos outros. No início dos anos 2000, o estudante Mark Zuckerberg fundou uma rede social chamada Facebook e elevou a autoestima de milhões de carentes no mundo. Qualquer ex-colega do jardim de infância passou a ser chamado de “amigo”. A plataforma substituiu as valiosas relações interpessoais, mas deixou essa esmolinha: “Olha só quanta gente adora você”.

Somos seres intrinsicamente solitários em busca de uma razão para existir, e essa razão pode estar no trabalho, na família, na política e até no isolamento – desde que o sumiço não seja radical. Não precisamos de uma multidão, bastam algumas pessoas com quem possamos estabelecer, ao vivo, a troca essencial de respeito, escuta e afeto. O problema é que manter laços profundos com um pequeno grupo exige sabedoria e humildade, e já nem todo mundo tem a prática. Sabedoria não se baixa num aplicativo e humildade está em desuso. É mais fácil atrair um milhão de amigos virtuais e se deixar enganar pela falsa popularidade.

E assim vamos substituindo relacionamentos por “contatos”. A cada postagem, estimulamos fantasias a nosso respeito e viramos presas fáceis da bajulação. Até que essa ilusão se esfarela, é só dar uma opinião enviesada ou frustrar uma expectativa. Que golpe para o nosso narcisismo: sermos cancelados por amigos que nunca vimos. Vou trocar a ironia fina por uma frase de para-choque de caminhão: quem não nos conhece, não nos adora. Simpatiza conosco à medida que entregamos o prometido, o previsto, mas no primeiro desapontamento, adeus, amor. Vida que segue.

(Martha Medeiros. https://www.nsctotal.com.br/colunistas/. 06.05.2022. Adaptado)

Conforme a cronista,

 

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