Nos anos 1950, a mise en scène reina absoluta no repertório conceitual da crítica: é o momento em que jovens redatores dos Cahiers do Cinéma atribuem a quintessência da linguagem cinematográfica ao apogeu do estilo clássico em Alfred Hitchcock, Howard Hawks, Kenji Mizoguchi, Fritz Lang, Otto Preminger e alguns outros “autores”. Assinados por Jacques Rivette, Alexandre Astruc, Fereydoun Hoveyda, Éric Rohmer ou Michel Mourlet, são publicados autênticos manifestos estéticos que tratam a mise en scène como a parte mais nobre do cinema, quiçá a única de fato que conta.
(OLIVEIRA JR., Luiz Carlos. A mise en scène no cinema: do clássico ao cinema de fluxo. 1 ed. Campinas:
Tendo em vista a premissa apresentada no texto acima, considere as afirmativas abaixo:
I. A mise en scène defendida por esse conjunto de críticos de cinema pode ser considerada como um pensamento em ação, a encarnação de uma ideia, a organização e a disposição de um mundo para o espectador.
II. Quando o crítico francês Michel Mourlet escreve em um polêmico manifesto que “tudo está na mise en scène”, ele quer dizer que o principal do cinema, sua essência, está na forma como o filme nos transporta através daquele universo a um só tempo próximo e desconhecido que a tela nos oferece.
III. A chegada do maneirismo, no fim da década de 1960, acaba suplantando o conceito de mise en scène, já que importantes cineastas maneiristas como Brian De Palma, R.W. Fassbinder, Raúl Ruiz e Dario Argento notabilizaram-se por construções rebuscadas, enquadramentos labirínticos e dispositivos óticos elaborados, obliterando o processo de encenação de seus filmes.
IV. A emergência dos cinemas novos nos anos 1960 desencadeou a primeira revisão substancial do conceito de mise en scène, mas não resultou em seu desaparecimento no vocabulário crítico e teórico. Nessa época, alguns cineastas, inclusive, não só mantiveram a mise en scène como ainda a conceberam no sentido de uma exploração teatral do espaço e dos gestos, tais como Mário Peixoto e Kenji Mizoguchi.
V. Apesar de terem ocupado um lugar de destaque no corpo redatorial da revista francesa Cahiers du Cinéma, nos anos 1950, os conceitos de mise en scène e de política dos autores divergiam substancialmente, porque o primeiro considerava apenas as materialidades estilíticas de um determinado filme, enquanto o segundo levava em consideração apenas a profundidade temática da obra de um autor.
Em relação às proposições enumeradas acima, estão corretas as afirmativas: