TEXTO
INFÂNCIA
Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
Lia a história de Robinson Crusoé.
Comprida história que não acabava mais.
No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
A ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu –
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
Café gostoso
Café bom.
Minha mãe ficava sentada cosendo
Olhando para mim:
– Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!
Lá longe meu pai campeava
No mato sem fim da fazenda.
E eu não sabia que minha história
Era mais bonita que a de Robinson Crusoé.
(ANDRADE, Carlos Drummond
de. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 6.)
A maioria dos verbos do poema está no pretérito imperfeito do indicativo, e alguns poucos, no pretérito perfeito do indicativo que são formas verbais muito empregadas em textos de base narrativa. A diferença entre esses dois tempos verbais está expressa na alternativa