O berro do cordeiro em Nova York (1995) é o livro mais engajado da escritora Teresa Albues. Nesse livro, a autora mato-grossense apresenta, além da psicologia da dominação e da árdua luta do personagem para recuperar sua liberdade, os tipos de contratos de espoliação da força de trabalho do homem simples da região, representado, no texto, por Venâncio. O principal deles é o que se chama de “aviamento”. Trata-se de um “contrato” comum na Amazônia brasileira, já descrito, no início do século, pelo escritor português Ferreira de Castro, no romance A Selva, e que perdura até nossos dias. Nesse tipo de relação de trabalho, tem-se, de um lado, o indígena ou o camponês analfabeto da região ou do Nordeste do país e, de outro, as leis do capitalismo, representadas pelo fazendeiro ou pelas empresas nacionais ou internacionais. Entre eles, estabelece-se uma relação de trabalho que, na verdade, dissimula uma situação de escravidão branca, já que o empregado fica eternamente ligado ao patrão, por uma dívida que não pára de crescer, ao mesmo tempo em que é enganado sobre as condições do “contrato” relativas a transporte, moradia etc., passando a levar uma vida miserável.
Em O berro do cordeiro em Nova York, o personagem Venâncio é apresentado como um animal: de cão que fareja a própria a morte torna-se, no final da narrativa, um morcego. Nesse contexto, a palavra “ morcego” remete à idéia de que o personagem não pode mais ser livre, estando aprisionado, para sempre, no domínio da noite, da fantasia, da loucura.
Teresa Albues, colocando em relevo o drama de Venâncio e sua luta pela sobrevivência, testemunha uma faceta da realidade dos seres humanos perdidos nas imensas fazendas não apenas do Mato Grosso mas de toda a Amazônia brasileira.
Idem, ibidem.
Assinale a opção correta a respeito de aspectos gramaticais do texto II.