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94378 Ano: 2003
Disciplina: Português
Banca: ESAF
Orgão: MTE
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Dinheiro é a maior invenção dos últimos 700 anos. Com ele, você pode comprar qualquer coisa, ir para qualquer lugar, consolar o aleijado que bate no vidro do carro no sinal fechado, mostrar quanto você ama a mulher amada ou comprar uma hora de amor. É o passaporte da liberdade. Com dinheiro, você pode xingar o ditador da época e sair correndo para o exílio, ou financiar todos os candidatos a presidente e comparecer aos jantares de campanha de todos. Nos tempos que estamos vivendo, dinheiro é como Deus na Idade Média - o sentido único e todos os sentidos de todas as coisas. A "remissão" de todas as coisas. O que não produz nem é dinheiro, não existe. É falso, postiço.
Os sábios da igreja de antigamente são os economistas de hoje em dia. Dividem-se em dois grupos - os idólatras, para quem dinheiro é o pedacinho de papel, a imagem do sagrado, o santinho. Pare eles, o valor do dinheiro depende da quantidade de papéis em circulação. Para os iconoclastas, dinheiro é a base das relações sociais do mundo capitalista, a rede que organiza a sociedade. É um conceito, um crédito, um débito. Como os sacerdotes de antigamente, economistas têm a missão de explicar o inexplicável - como o dinheiro é tudo e nada ao mesmo tempo, por que falta dinheiro se dinheiro é papel impresso, ou se a quantidade de santinhos muda o tamanho do milagre.

(João Sayad, Cidade de Deus. Classe Revista de Bordo da TAM, nº 95, com adaptações)

Assinale como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes inferências para o texto. A seguir, assinale a opção correta.

( ) Os sábios da igreja de antigamente são identificados aos idólatras; os economista de hoje em dia, aos iconoclastas.

( ) Hoje em dia, o dinheiro representa um deus, porque remete ao sentido de todas as coisas.

( ) Considerar dinheiro como um pedacinho de papel retira dele o valor sagrado com que é reverenciado nos dias de hoje.

( ) O valor do dinheiro para os iconoclastas está ligado ao simbólico, ao conceito, como crédito ou débito.

( ) É "inexplicável" dizer que dinheiro é tudo e nada ao mesmo tempo porque se trata de uma realidade paradoxal.

 

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