Formado em 1988, o grupo de rap Racionais Mc’s inflama o cenário cultural brasileiro com o que foi chamado por Acauam Oliveira, no livro Sobrevivendo no inferno, de “processo de autorreconhecimento das comunidades periféricas brasileiras”. Esse “autorreconhecimento” apontado pelo autor trata da iluminação da perspectiva da periferia como “cultura e potência”. A novidade, a transgressão maior dos Racionais MC’s, é a erupção das vozes da periferia para a periferia ou as vozes, como eles chamam, dos “manos” para os “manos”, o que o grupo separa muito claramente das perspectivas dos playboys e do Estado. O ponto de virada aqui, segundo o filósofo Francisco Bosco, é: “Para os Racionais, tratava-se de afirmar o valor de uma tradição eminentemente negra ‘não mestiça’, capaz de funcionar como referência horizontal para os negros, quase sempre em posição desfavorável na sociedade do espetáculo e do consumo”.
Bosco, Francisco. A vítima tem sempre razão? São Paulo: Editora Todavia, 2017, p. 51-52 (com adaptações).
Considerando o texto apresentado e no que se refere a música e cultura no Brasil, assinale a opção correta.