Foram encontradas 45 questões.
[...] Terceiro mundo se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse? [...]
Legião Urbana. Que país é esse? 1987.
A banda Legião Urbana, formada em Brasília, integrou o período inflamado do rock nacional nas décadas de 80 e 90 do século passado. Considerando o trecho da música apresentado e no que se refere a cultura e música brasileiras, assinale a opção correta.
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Televisão
[...] A mãe diz pra eu fazer alguma coisa
Mas eu não faço nada
A luz do sol me incomoda
Então deixo a cortina fechada.
É que a televisão me deixou burro, muito burro demais
E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais.
Ô Cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar meu coração captura
Vê se me entende pelo menos uma vez criatura
Ô Cride, fala pra mãe [...] Titãs. Televisão. 1985.
Titãs. Televisão. 1985.
Com base no trecho da música Televisão e no que concerne à música brasileira, assinale a opção correta.
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Formado em 1988, o grupo de rap Racionais Mc’s inflama o cenário cultural brasileiro com o que foi chamado por Acauam Oliveira, no livro Sobrevivendo no inferno, de “processo de autorreconhecimento das comunidades periféricas brasileiras”. Esse “autorreconhecimento” apontado pelo autor trata da iluminação da perspectiva da periferia como “cultura e potência”. A novidade, a transgressão maior dos Racionais MC’s, é a erupção das vozes da periferia para a periferia ou as vozes, como eles chamam, dos “manos” para os “manos”, o que o grupo separa muito claramente das perspectivas dos playboys e do Estado. O ponto de virada aqui, segundo o filósofo Francisco Bosco, é: “Para os Racionais, tratava-se de afirmar o valor de uma tradição eminentemente negra ‘não mestiça’, capaz de funcionar como referência horizontal para os negros, quase sempre em posição desfavorável na sociedade do espetáculo e do consumo”.
Bosco, Francisco. A vítima tem sempre razão? São Paulo: Editora Todavia, 2017, p. 51-52 (com adaptações).
Considerando o texto apresentado e no que se refere a música e cultura no Brasil, assinale a opção correta.
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A origem é o alvo.”
Ailton Krenak

Daiara Tukano (2020). Kahtiri Eõrõ. Espelho da vida.
Fundação Bienal de São Paulo. Foto: Levi Fanan.
A obra relê os tradicionais mantos Tupinambás, que eram feitos das penas do pássaro Guará e que foram levados do Brasil para coleções exteriores: “As peças indígenas mais antigas que existem estão todas na Europa, entre elas esses mantos Tupinambás, que viraram um patrimônio europeu (e não brasileiro). Elas não podem sequer voltar para cá, pois são muito frágeis, estão engaioladas, dentro de vidros... para mim fica muito marcado esse sentimento de prisão em que se encontram” — comenta Daiara. “Quem se enxerga no espelho fica do tamanho que a gente é: bem pequenininho, para poder enxergar o horizonte de uma forma mais ampla. É muito forte que a gente, enquanto indígena, se depare com toda essa história num só objeto, que é mais do que um objeto: é encantado, tem alma.”.
Internet:<http://www.facebook.com/> (com adaptações).
(...) me perguntaram: “Como os índios vão fazer diante disso tudo?”. E eu falei: “Tem quinhentos anos que os índios estão resistindo, eu estou preocupado é com os brancos, como é que vão fazer para escapar dessa.”. A gente resistiu expandindo a nossa subjetividade, não aceitando essa ideia de que somos todos iguais. Ainda existem aproximadamente 250 etnias que querem ser diferentes umas das outras no Brasil, que falam mais de 150 línguas e dialetos.
Ailton Krenak. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
Tendo como referência a imagem e os textos apresentados anteriormente, assinale a opção correta.
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“A vida não se resolve com palavras.”
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João Cabral de Melo Neto

Randolpho Lamonier. Toma posse primeira presidenta negra do Brasil, 2027. In: Profecias, 2018, bordado, colagem e costura em tecido, 155 x 185 cm.
Profecia, latim cristão profehetia, do grego prophethéia “predição, profecia, dom da profecia, explicação dos livros sagrados pela inspiração do Espírito Santo”, é um relato, religioso ou não, no qual se afirma prever acontecimentos futuros. É assim que Randolpho Lamonier, por meio de suas profecias, anuncia um futuro utópico, no qual desigualdades são dissolvidas, e acontecimentos idealizados e improváveis se tornam realidade. O trabalho desenvolvido por Lamonier, que envolve palavras e imagens, mediante costura e bordado em tecido, remete diretamente a uma linhagem de artistas brasileiros formada, entre outros, por Athur Bispo do Rosário e Leonilson. Porém, enquanto os trabalhos desses artistas podem ser considerados “textos de fronteira”, quando Bispo trabalha no limite entre a saúde e a doença mental, e Leonilson reflete sua luta contra a AIDS nas suas obras, Randolpho Lamonier utiliza esse meio, da costura e do bordado de palavras e imagens, para discutir temas atuais e urgentes do nosso tempo, por um viés político e ativista.
Maria do Carmo de Freitas Veneroso. Armadilhas visuais: as profecias de Randolpho Lamonier. 2019.
Com referência à imagem e ao texto anteriormente apresentados, assinale a opção correta.
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“Haja hoje para tanto ontem.”
Paulo Leminski

Antônio Obá. Iconografia para uma missa preta: estudo para um corpo sem órgãos, 2016. Pintura, técnica mista sobre tela, 100 x 76 cm.
Visualmente, o Barroco — “pérola imperfeita”, como ficou conhecida posteriormente a produção artística elaborada entre os anos de 1600 a 1800 —, é constituído por linhas e dobras irregulares e imponentes, que limitaram a tendência à perfeição renascentista das formas, abrindo espaço ao subjetivismo e à quebra de regras fechadas. Os artistas barrocos brasileiros, em grande número constituído de afro-brasileiros, expressavam as características de um estilo que foi apropriado da Europa a partir do século XVIII em suas obras para as igrejas — sobretudo em Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Rio de Janeiro, Espírito Santo e em algumas poucas de São Paulo. Embora os artistas do período fizessem de início adaptações estilísticas das produções da metrópole, as realizações do Barroco no país encarnaram características singulares e não constituíam mera cópia do modelo europeu, ainda que, para alguns historiadores da arte brasileira, essa singularidade aparecesse na arte barroca apenas de modo latente.
Arte Barroca no Brasil. In: Museu Afrobrasil Emanoel Araújo. Internet: <http://www.museuafrobrasil.org.br/> (com adaptações).
Os tempos históricos podem apresentar, dentro de si, camadas simultâneas de outros momentos. Esses momentos podem ser percebidos como anacrônicos, sincrônicos e diacrônicos. Assim também pode acontecer nas artes visuais: aparências de um estilo de época anterior podem aparecer em outros momentos.
Considerando as características históricas do Barroco colonial brasileiro, assinale a opção correta.
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“O racismo no Brasil se caracteriza pela covardia. Ele não se assume; por isso, não tem culpa, nem autocrítica.”
Abdias do Nascimento

Pierre Verger. Carnaval, Afoxé Filhos de Ghandi. 1959. Fotografia, 40 x 30 cm. Fundação Pierre Verger, Salvador.
A aventura civilizatória brasileira, no terreno fértil das crenças, é fortemente marcada pelo catolicismo ibérico. É também frequentemente dinamizada, reinventada, particularizada pela circulação de informações e crenças ameríndias das múltiplas Áfricas e das outras Europas que se encontram no extremo Ocidente para inventar o Brasil. Desenvolveram-se aqui celebrações profundamente sincréticas. O sincretismo, afinal, é fenômeno de mão dupla. Pode ser entendido como estratégia de resistência e controle — com variável complexa de nuances — e também como fenômeno de fé. A incorporação de deuses e crenças do outro é vista por muitos povos como acréscimo — e não diluição — de força vital. As festas católicas normalmente transitam em torno dos eventos da vida, da paixão e da ressurreição de Jesus Cristo; do culto aos santos e beatos e da adoração da Virgem Maria. Por sua vez, os fundamentos das celebrações indígenas e africanas festejam a força da ancestralidade e a divinização da natureza. Da interseção desses fundamentos e da circulação das culturas que o tempo todo se interinfluenciam, surgiram os nossos modos de celebrar o mistério: a fé é festa.
Luiz Antonio Simas. Almanaque brasilidades: um inventário do Brasil popular. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2018 (com adaptações).
Com relação às ideias apresentadas, assinale a opção correta.
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“Por isso mesmo diz o caboclo: a alegria vem das tripas — barriga cheia, coração alegre. O que é pura verdade.”
Cora Coralina

Antônio Poteiro. Lendas folclóricas, 2004. Pintura, óleo sobre tela, 155 x 135 cm.
Para quantas vezes se fizer a pergunta sobre as qualidades e características do brasileiro, tantas e muitas respostas são possíveis. Mesmo assim, sempre existe algo comum que agregue o que se concebe como cultura brasileira. O que une as diferenças são justamente os elementos da cultura mais populares e democráticos, acessíveis e dinâmicos, únicos e envolventes. Assim, a qualquer momento, as representações sobre essas qualidades e características do brasileiro reverberam em manifestações estéticas: na música e na culinária; nas festas, nos festejos e nos feriados; na arte e no artesanato; no folclore e no folguedo.
Acerca do exposto anteriormente, assinale a opção correta.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: SESI-SP
O movimento do passinho é uma expressão artístico-cultural que
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Foi assim com o ferreiro da esquina, em cujo portão de tenda uma tabuleta — “Ferra-se cavalos” — escoicinhava a santa gramática.
— Amigo — disse-lhe pachorrentamente Aldrovando —, natural a mim me parece que erres, alarve que és. Se erram paredros, nesta época de ouro da corrupção...
O ferreiro pôs de lado o malho e entreabriu a boca.
— Mas da boa sombra do teu focinho espero — continuou o apóstolo — que ouvidos me darás. Naquela tábua um dislate existe que seriamente à língua lusa ofende. Venho pedir-te, em nome do asseio gramatical, que o expunjas.
— ???
— Que reformes a tabuleta, digo.
— Reformar a tabuleta? Uma tabuleta nova, com a licença paga? Estará acaso rachada?
— Fisicamente, não. A racha é na sintaxe. Fogem ali os dizeres à sã gramaticalidade.
O honesto ferreiro não entendia nada de nada.
Monteiro Lobato. O colocador de pronomes. In: Contos completos: Monteiro Lobato. São Paulo: Biblioteca Azul, 2014, p. 379.
No fragmento desse conto de Monteiro Lobato, a cena da dificuldade de comunicação entre os personagens Aldrovando e o ferreiro
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