“[...] o discurso de superação do atraso definia-se como um discurso fundador, instituindo um modo de dizer sobre o Espírito Santo assim como definia um lugar particular tanto para o Estado como para o projeto de industrialização.”
(NASCIMENTO, Rafael Cerqueira do. A narrativa histórica da superação do atraso:
um desafio historiográfico do Espírito Santo. Serra: Editora Milfontes, 2018, p. 62)
Acerca desse discurso, e de acordo com Rafael Cerqueira do Nascimento, julgue as afirmativas abaixo.
I. Esse discurso emerge no contexto do projeto industrializante de Jones dos Santos Neves, de modo a combater a propagação da cultura agrícola, fundamentando-se na produção de um passado cuja constituição se deu mediante um “pecado original”, isto é, um “vício de origem do atraso”.
II. Os autores que fundamentaram a narrativa histórica de superação do atraso, o fizeram de modo a estabelecer a categoria progresso como elemento para produzir uma configuração temporal entre o devir do estado e seu passado, seguindo a lógica interpretativa do desenvolvimento.
III. Essa narrativa estabeleceu para o período colonial, especificamente o período da mineração, um status de marco histórico negativo para a capitania do Espírito Santo, mediante a ideia de que a capitania havia se tornado uma “trincheira” para a defesa de Minas Gerais, gerando empecilho para o seu desenvolvimento.
IV. Sob essa perspectiva, o século XIX é interpretado pelo “reforço do atraso”, ou seja, pelo prolongamento da estagnação econômica e do atraso no desenvolvimento regional da então província do Espírito Santo, devido à manutenção de políticas agrícolas e da incapacidade de romper seu isolamento econômico.
Estão CORRETAS: