Texto para as questões de 4 a 6
1 O ferro ao pescoço era aplicado aos escravos fujões.
Imaginai uma coleira grossa, com a haste grossa também, à direita
ou à esquerda, até ao alto da cabeça, e fechada atrás com chave.
4 Pesava, naturalmente, mas era menos castigo que sinal. Escravo
que fugia assim, onde quer que andasse, mostrava um reincidente,
e com pouco era pegado.
7 Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram
muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia
ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de
10 apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia
alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era
mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação,
13 porque dinheiro também dói. A fuga repetia-se, entretanto. Casos
houve, ainda que raros, em que o escravo de contrabando, apenas
comprado no Valongo, deitava a correr, sem conhecer as ruas da
16 cidade. Dos que seguiam para casa, não raro, apenas ladinos,
pediam ao senhor que lhes marcasse aluguel, e iam ganhá-lo fora,
quitandando.
19 Quem perdia um escravo por fuga dava algum dinheiro a
quem lho levasse. Punha anúncios nas folhas públicas, com os
sinais do fugido, o nome, a roupa, o defeito físico, se o tinha, o
22 bairro por onde andava e a quantia de gratificação. Quando não
vinha a quantia, vinha a promessa: “gratificar-se-á
generosamente”, — ou “receberá uma boa gratificação”. Muita
25 vez o anúncio trazia em cima ou ao lado uma vinheta, figura de
preto, descalço, correndo, vara ao ombro, e na ponta uma trouxa.
Protestava-se com todo o rigor da lei contra quem o açoitasse.
Machado de Assis. Pai contra mãe. In: John Gledson. 50 contos de Machado de
Assis. São Paulo: Cia. das Letras, 2007, p. 466-67 (com adaptações).
Com relação às estruturas gramaticais do texto, assinale a opção correta.