“É sem dúvida por intermédio das classificações sucessivas que fizeram delas o que elas são do ponto de vista da taxinomia escolar que os produtos classificados do sistema escolar, alunos ou professores, adquiriram, em graus diferentes segundo sua posição nessas estruturas, o domínio prático de sistemas de classificação tendencialmente ajustados às classes objetivas que lhes permitem classificar todas as coisas – a começar por eles mesmos – segundo as taxinomias escolares e que funcionam em cada um deles – na fé e na boa-fé mais absolutas – como uma máquina de transformar classificações sociais em classificações escolares, como classificações sociais reconhecidas-irreconhecidas. Estruturas objetivas tornadas estruturas mentais [...]”.
“Ideologia em estado prático, produzindo efeitos lógicos que são inseparavelmente efeitos políticos, a taxinomia escolar encerra uma definição implícita de excelência que, constituindo como excelentes as qualidades apropriadas por aqueles que são socialmente dominantes, consagra sua maneira de ser e seu estado. A homologia entre as estruturas do sistema de ensino (hierarquia das disciplinas, das seções etc.) e as estruturas mentais dos agentes (taxinomias professorais) está no princípio da função de consagração da ordem social que o sistema de ensino preenche sob a aparência de neutralidade.
A partir dos fragmentos acima, pode-se observar algumas conclusões analíticas de Pierre Bourdieu acerca da eficácia operada pelo sistema escolar e as taxinomias que incidem sobre os modos de classificação-desclassificação social, concluindo-se que: