Leia o excerto a seguir, para responder à questão.
Casuarino Malunga abriu os braços, com a imponência de um Cristo, e sua voz sobressaiu no ruidoso ambiente do aeroporto:
- Benjamin, my brother! Welcome to Mother Africa!
Antes de se recolher no abraço do moçambicano, Benjamin tombou inesperadamente de joelhos. O anfitrião correu a erguê-lo do chão. Teria sido um baque, o americano tombara sucumbido pela emoção? Com vigor, Casuarino puxou-o pelos sovacos enquanto balbuciava, atrapalhado:
- What is happening?
- Em português, por favor, eu falo português, avisou o recém chegado.
- O que se passa, mano, uma tontura?
- Eu só queria beijar a nossa mãe...
- Qual mãe?
- Queria beijar o chão de África...
- Ora o chão, pois o chão de África, mas veja, meu brada, o melhor chão para ser beijado é noutro local que lhe vou indicar, este chão, aqui, é melhor não...
Esfregou as mãos como se atiçasse uma fogueira: o que interessava era que os americanos tinham chegado e uma parceria inteligente os iria conduzir às suas ancestrais origens.
(COUTO, Mia. O outro pé da sereia. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. P. 138.)
A partir dos ensinamentos de Laranjeira (2007) e da leitura do excerto acima, analise as afirmativas a seguir:
I. O desejo de Benjamin de encontrar a África exótica, idealizada e mitificada é ironizado.
II. Mia Couto faz um retrato crítico da população local, que busca inventar uma África ao gosto dos visitantes americanos.
III. O outro pé da sereia faz uma crítica ao caráter artificial das convicções ocidentais em torno do passado colonial e de sua visão romântica da África.
Estão corretas as afirmativas