“Retire um livro retangular da sua estante e olhe para a capa. Qual é a cor predominante e quantos lados tem? Ao responder a essas questões, o leitor fica a saber duas coisas acerca desse livro, e esses dois fatos ilustram uma importante distinção entre duas maneiras que temos de adquirir conhecimento. Para ficarmos a saber a cor do livro, temos de observá-lo (ou pedir a alguém que o faça por nós). A justificação para a nossa crença acerca da sua cor é fornecida pela experiência (nossa ou de outrem). Mas não precisamos olhar para um livro retangular para saber quantos lados tem. Sabemos que os retângulos têm quatro lados pelo simples fato de pensarmos no que é ser um retângulo. Adquirimos esse conhecimento, usando apenas os nossos poderes de raciocínio; não temos de considerar a informação dada pelos nossos sentidos. O conhecimento que é justificado pela experiência é denominado conhecimento a posteriori ou conhecimento empírico. O conhecimento em que a experiência não desempenha um papel justificatório é denominado conhecimento a priori.”
(O’BRIEN, D. Introdução à Teoria do Conhecimento. Tradução de Pedro Gaspar. Lisboa: Gradiva, 2013)
Acerca do Empirismo e do Racionalismo, como tradições da Teoria do Conhecimento, leia com atenção as afirmações a seguir e marque (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas.
( ) Reconhecidamente o pensador racionalista de maior vulto do século XV foi René Descartes; a partir das suas Meditações Metafísicas, caracterizou-se a importância do conhecimento a priori.
( ) Os racionalistas afirmam que não só temos uma compreensão a priori dos casos em que a aplicação dos nossos conceitos é correta, como também que o pensamento permite, só por si, penetrar na natureza do mundo.
( ) Existe um argumento fortemente vinculado aos racionalistas de que alguns dos nossos conhecimentos são inatos, ou seja, que não são adquiridos através da experiência e que os possuímos desde que nascemos. Vários pensadores sustentam que possuímos conhecimento desse tipo: Platão defende que temos um conhecimento inato da virtude e da justiça e Descartes afirma que temos conhecimento inato de Deus.
( ) Os empiristas aceitam que algumas verdades podem ser conhecidas a priori, mas essas verdades são consideradas desinteressantes, não-instrutivas e tautológicas.
( ) Os empiristas afirmam que todas as verdades a priori são “sintéticas”, tal como as descreveu Immanuel Kant. São verdadeiras em virtude dos significados dos termos utilizados para as exprimir e a sua verdade só pode ser descoberta com recurso à análise filosófica.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de cima para baixo.