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Famintos por Tempo
Time Famine é uma expressão recente que diz muito sobre a rotina que vivemos hoje em dia. Trata-
se da fome, quase desesperada, que temos, nos dias de hoje, por mais tempo.
Queremos mais tempo para trabalhar e produzir. Mais tempo para socializar nas redes sociais. Para
nossa vida pessoal. Tempo até para conseguir apreciar, de fato, o que conquistamos ou o que compramos
com o dinheiro que ganhamos. Mas até para isso, paradoxalmente, também não temos tempo. Afinal, a
conquista de hoje é quase que imediatamente sufocada por tudo o que temos que tentar entregar amanhã.
Ou daqui __ pouco.
Os dias viram horas. As semanas viram dias. Piscamos e meio ano já passou. Estamos sempre
ocupados, trabalhando muito, respondendo a infinitos e-mails, fissurados por uma rotina de correria e
afazeres táticos. Sempre correndo para lá e para cá, ansiando pelo dia de amanhã, quando poderemos,
quem sabe, ter mais tempo e aproveitar a vida. Gertrude Stein tem uma frase maravilhosa sobre essa ilusão
– There is no there there… Mas eis que o paradoxo aumenta: quanto mais tempo queremos, pior
administramos o que temos, de fato.
Quanto de nosso tempo no trabalho é usado para assuntos importantes, ligados __ estratégia e
inovação? Estou falando de temas que podem gerar uma diferença significativa em termos de performance,
competitividade e resultados para as empresas. Inúmeras pesquisas apontam para a frustração de CEOs e
diretores de empresas sobre a falta de tempo adequado dedicado __ temas cujo impacto seria muito maior
em seus negócios a longo prazo.
Ao invés disso, estamos ocupados com as reuniões intermináveis, as centenas de e-mails que
respondemos (ou não), diariamente. Com o celular que não para de tocar, ou com os relatórios cujos
deadlines já passaram. O tático se sobrepõe ao estratégico. O relevante vira segundo plano. E como não
temos todo o tempo que queremos, trabalhamos até mais tarde e nos finais de semana.
De novo, o paradoxo. O tempo que não temos para todo o trabalho tático que devemos entregar
invade nossa vida pessoal. E acabamos tendo ainda menos tempo para nossos maridos, mulheres,
namorados, filhos e pais; justamente as pessoas que têm maior importância em nossas vidas. E mesmo
quando conseguimos tempo com eles, estamos sempre com o celular na mão, checando assuntos do
trabalho, ligados ___ assuntos táticos que não nos deixam resetar a cabeça, aproveitar momentos de
qualidade real com a família e descansar de fato, para que, no dia seguinte, possamos ser mais produtivos
e criativos no trabalho.
O tempo individual é também muito escasso. Não temos tempo para cuidar de nós mesmos, para
fazer exercícios, para planejar uma alimentação adequada. Não dormimos o suficiente. Perdemos a
capacidade de reservar tempo para o silêncio interior, fundamental para buscarmos as respostas mais
importantes em nossas vidas, ligadas à direção, propósito, razão de existência e legado, como alguns
exemplos. Estamos, portanto, famintos por tempo.
Mas se tivéssemos mais tempo, saberíamos distribuir, de fato, esse tempo extra da melhor forma?
Ou somente trabalharíamos mais e mais? Teríamos mais equilíbrio ou reforçaríamos o modo piloto
automático atual?
Duas questões são fundamentais neste ponto. A primeira é que não temos e não teremos este
tempo físico adicional. A forma como decidimos e alocamos o tempo para nossas rotinas é uma decisão
individual. Mas é preciso trazer consciência para nossas escolhas. A segunda questão, ainda mais crítica, é
que o tempo está passando, nós estamos passando. Passados alguns minutos, dias, semanas, meses ou
anos, não estaremos mais aqui.
Pense nisso. Seja no trabalho, na vida pessoal ou nas suas escolhas mais importantes, o que você
está fazendo de relevante para melhor aproveitar o tempo que ainda __?
Fonte: texto adaptado - disponível em http://exame.abril.com.br/rede-de-blogs/muito-trabalho-pouco-stress/2014/06/23/famintos-por-tempo/-23-6-2014.
( ) A rotina que criamos nos impele a usar o tempo disponível apenas nas atividades consideradas táticas, visto que as estratégicas requerem tempo extra.
( ) O paradoxo a que se refere o texto está relacionado, em parte, ao modo como administramos nosso tempo.
( ) Ao dizer que estamos famintos de tempo, o texto nos encaminha para a ideia de que devemos aproveitar mais nosso tempo adicional.
( ) O tempo individual, aquele que dedicamos a nós mesmos, está preservado; mesmo que haja a cada dia mais tempo dedicado ao trabalho.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: