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2105645 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IDECAN
Orgão: PEFOCE
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Cultura alimentar nas políticas culturais do Brasil

Ao ideia de que 'comida é cultura talvez seja facilmente compreendida, pois o ato de se alimentar constrói sentidos, significados, memórias, silenciamentos, violência, opressões apagamentos em cada individuo e na coletividade. A cultura, assim como a comida, por estar presente em diferentes dimensões da vida e das prática sociais, corre o risco de, muitas vezes, ser deslocada e realocada na produção de conhecimento e na ação política. Com Isso, desconsidera-se a centralidade da cultura no desenvolvimento da humanidade, que vai desde o surgimento da técnica e da linguagem à sua Inclusão nas poIitícas públicas.

O antropólogo Jesus Contreras e antropóloga Mabel Gracia. compreendem a cultura alimentar como um conjunto de representações, crenças, conhecimentos e práticas. Pode ser herdada ou aprendida esta associada à alimentação compartilhada por individuos de uma. cultura. De Igual forma, a compartilharmos uma cultura, Contreras e Gracia afirmam que tendemos a atuar de forma similar como fazemos com a comida, ou seja, somos guiados por orientações, preferências e sanções autorizadas por determinada cultura.

Em diálogo com assa perspectiva, a antropóloga Maria Emília Pacheco, assessora da ONG Fase a integrante do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar 6 Nutricional (FBSSAN), enfatiza o papel substantivo e político da cultura nos sistemas alimentares, e não como um adjetivo. Considera que a alimentação se expressa em representações, envolve escolhas, símbolos e classificações que mostram as visões sobre a história e as tradições alimentares.

É também no contexto histórico de lutas por direitos sociais que o sentido político da cultura vem sendo construido. Em 2016, a carta política do II Seminário Nacional de Educação em Agroecologia, organizado pela Associação Brasileira de Agroecologia (ABA), destacou a cultura como “elemento político de diálogo com os territórios, uma vez que é a representação da diversidade e dos saberes populares” e a definiu como memória por denotar a necessidade de reconhecer os saberes ancestrais, aprender com eles e renová-los.

Essas ideias sobre a cultura dialogam com as do pensador francês Edgar Morin; ao entendê- la como “memória generativa depositária das regras de organização social, ela É fonte produtora de saberes, competências e programas de comportamento". Morin a considera como um patrimônio informacional, pois organiza a experiência humana. De acordo com esse autor, a cultura abrange os conhecimentos acumulados por gerações sobre o ambiente, o clima, as plantas, os animais, as técnicas do corpo, as técnicas de fabricação e de manejo dos artefatos, as crenças, a visão de mundo etc., em que se retempera e se regenera a comunidade.

Morin afirma que a cultura fornece ao pensamento suas condições de formação e concepção. Para esse pensador, à cultura e a sociadade, via cultura, estão no interior do conhecimento humano e produz conhecimento. À comida é uma prática cultural que contribui para enxergar a complexidade da vida é a condição humana no seu conjunto - ecossistema é biosfera. Alimenta todo o complexo vivo do nosso organismo, das células às moléculas. Nutre a mente, as redes neuronais, psíquicas, sociais e espirituais. É uma via concreta - é comestível - para compreender o mundo é nos auxiliar na criação da estratégias para intervir em realidades.

Ao longo dos últimos 20 anos, diferentes povos e organizações da sociedade civil têm forjado coletivamente a compreensão do que entendem por cultura alimentar, bem como têm criado estratégias para sua inserção nas políticas públicas. À essas concepções de cultura, geradas nas lutas sociais e com pensadores da complexidade e das ciências sociais, trazemos a reflexão sobre o lugar da comida nas políticas culturais no Brasil.

(...)

(Jullana Dias e André Luza. Le Monde Diplomafique. 30 de novembro de 2020, com alterações)

A respeito das inferências possíveis com a leitura do texto, analise as afirmativas a seguir:

I. Ao se compartilhar uma cultura, a tendência do ser humano é se guiar por suas preferências pelo que é “autorizado”, como ocorre com a comida.

II. As preferências alimentares possibilitam realizar uma leitura de como o homem vê o seu mundo e sua história.

IlI. A estratégia de colocar a cultura e a comida no centro das políticas públicas representa um viés de libertação da história de segregação dos povos via alimentação.

Assinale

 

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