Religião brasileira enquanto sincretismo nacional, a partir de matrizes negras (macumba, candomblé) e ocidentais (catolicismo, kardecismo), é a umbanda também recente. A padronização inicial de seus ritos e seus prenúncios de institucionalização datam da década de 1920, quando kardecistas de classe média, atraídos pelos espíritos de caboclos e pretos-velhos que se incorporavam nos terreiros de macumba do Rio de Janeiro, neles adentraram e assumiram sua liderança. É possível que o mesmo tenha ocorrido em outros Estados, sobretudo no Rio Grande do Sul. Em São Paulo, houve também movimentação semelhante, embora a partir de influências cariocas.
Imediatamente os adventícios passaram a moldá-la à sua imagem e semelhança: branca, cristã, ocidental.
Analise as afirmativas a seguir, considerando a Umbanda e o Candomblé:
I - Candomblé e umbanda são religiões de pequenos grupos que se congregam em torno de uma mãe ou pai de santo, denominando-se terreiro também cada um desses grupos. Embora se cultivem relações protocolares de parentesco iniciático entre terreiros, cada um deles é autônomo e autossuficiente, e não há organização institucional eficaz alguma que os unifique ou que permita uma ordenação mínima capaz de estabelecer planos e estratégias comuns na relação da religião afro-brasileira com as outras religiões e o resto da sociedade.
II - Grande parte da fraqueza das religiões afro-brasileiras advém de sua própria constituição como reunião não organizada e dispersa de grupos pequenos e quase domésticos, que são os terreiros. Num passado recente, entre as décadas de 1950 e 1970, as religiões de conversão caracterizavam-se pela formação de pequenas comunidades, em que todos se conheciam e se relacionavam. A religião recriava simbolicamente relações sociais comunitárias que o avanço da industrialização e da urbanização ia deixando de lado. Tanto no terreiro afro-brasileiro como na igreja evangélica, o adepto sentia-se parte de um pequeno e bem definido grupo.
III - Além de se constituírem em pequenas unidades autônomas, reunindo, em geral, não mais que cinquenta membros, os terreiros de candomblé e umbanda, usualmente, desaparecem com o falecimento da mãe ou pai de santo, tanto pelas disputas de sucessão como pelo fato bastante recorrente de que os herdeiros civis da propriedade e demais bens materiais do terreiro, tudo propriedade particular do finado chefe, não se interessam pela continuidade da comunidade religiosa. A não ser em uma dúzia de casas que se transformaram em emblemas de importância regional ou mesmo nacional para a religião, dificilmente um terreiro sobrevive a seu fundador. Tudo sempre começa de novo, pouco se acumula.
Marque a alternativa que contém as afirmativas CORRETAS.