Ahora va a leer otro fragmento del mismo texto de Celada.
“Esse jogo de equivalências (língua = gramática, e desvio/deslize/falha/variante = erro) se manifesta de várias formas ao longo do processo de ensino-aprendizagem da língua estrangeira. Vou citar aqui um caso que pode parecer trivial, mas que também poderá ser reconhecido como corriqueiro: quando um aluno recebe os resultados de uma avaliação e estes não são positivos ou alentadores, com frequência pode chegar a concluir que “deve estudar (mais) gramática”. Poderíamos dizer que o sujeito da linguagem fica preso aí a uma injunção, sob a forma de um enunciado deôntico que carrega o peso de uma espécie de ‘sem saída’ – efeito da redução da língua a um universo regrado, chato e sem perspectivas ou sem horizontes. A gramática funciona como metáfora da língua, no lugar desta. No entanto, sabemos que as gramáticas (há vários tipos) são formas de organizar a língua mediante a realização de determinados recortes (os artigos, o presente de indicativo, os complementos do verbo, os operadores argumentativos, etc.) e de regrar ou explicar o funcionamento deles. Porém, também é preciso que reconheçamos que o que essas práticas organizam e recortam não dá conta de contornar ‘o todo’ ou, tomando como base as reflexões de Milner, o não todo que é uma língua – de fato, é o imaginário que, de modo mesquinho usurpa à língua essa capacidade de ser um não todo. O que quero frisar é que o funcionamento da língua implica um universo incontornável que não pode coincidir com a série ou séries (de termos, de quadros, de listas) delimitadas pelos vários gestos que no trabalho gramatical são praticados.”
(CELADA, Maria Teresa. “Aqui há língua”. No processo de ressignificar as práticas de
ensino (a modo de prefácio). In: NADIN, Odair Luiz; LUGLI, Viviane Cristina Poletto
(orgs.). Espanhol como língua estrangeira: reflexões teóricas e propostas didáticas.
1ª ed. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2013.)
Considerando este fragmento, señale la opción que presenta una idea que no coincide con la visión de lengua difundida por la autora.