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1069347 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: UPENET/IAUPE
Orgão: Pref. Caetés-PE
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TEXTO 4

AULA DE PORTUGUÊS

A linguagem

na ponta da língua,

tão fácil d e falar

e de entender.

A linguagem

na superfície estrelada de letras,

sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,

e vai desmatando

o amazonas de minha ignorância.

Figuras de gramática, esquipáticas,

atropelam me, aturdem me, sequestram me.

Já esqueci a língua em que comia,

em que pedia para ir lá fora,

em que levava e dava pontapé,

a língua, breve língua entrecortada

do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 li vros de poesia. São Paulo: Schwarcz, 2015. p. 700.

Considere a plurissignificação do texto poético, na análise das assertivas a seguir sobre o Texto 4.

1. Para o eu lírico, no espaço escolar, a linguagem é hermética e de domínio restrito do professor: “Professor Carlos Góis, ele é quem sabe”.

2. Em: “A linguagem/ na superfície estrelada de letras,/ sabe lá o que ela quer dizer?” destaca-se a metáfora para ‘linguagem escrita’ (superfície estrelada de letras) e o contraste dessa com a linguagem oral.

3. O emprego da ênclise (atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me), além de marcar os usos tradicionais da gramática, ajuda a compor o clima de opressão da “aula de português”.

4. No verso: “a língua, breve língua entrecortada/ do namoro com a prima”, “língua” tem sentido ambíguo: pode significar a linguagem oral (intercalada, interrompida pelos beijos) e também o órgão bucal.

Estão CORRETAS:

 

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