TEXTO 4
AULA DE PORTUGUÊS
A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil d e falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam me, aturdem me, sequestram me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Nova reunião: 23 li vros de poesia. São Paulo: Schwarcz, 2015. p. 700.
Considere a plurissignificação do texto poético, na análise das assertivas a seguir sobre o Texto 4.
1. Para o eu lírico, no espaço escolar, a linguagem é hermética e de domínio restrito do professor: “Professor Carlos Góis, ele é quem sabe”.
2. Em: “A linguagem/ na superfície estrelada de letras,/ sabe lá o que ela quer dizer?” destaca-se a metáfora para ‘linguagem escrita’ (superfície estrelada de letras) e o contraste dessa com a linguagem oral.
3. O emprego da ênclise (atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me), além de marcar os usos tradicionais da gramática, ajuda a compor o clima de opressão da “aula de português”.
4. No verso: “a língua, breve língua entrecortada/ do namoro com a prima”, “língua” tem sentido ambíguo: pode significar a linguagem oral (intercalada, interrompida pelos beijos) e também o órgão bucal.
Estão CORRETAS: