Leia o texto.
Não há vagas.
O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras
— porque o poema, senhores
está fechado:
“não há vagas”
Só cabem no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede
nem cheira
Ferreira Gullar
Considere as afirmativas feitas abaixo, tendo por base o texto.
1. Segundo o autor, a dura realidade em que vivem as pessoas não cabe no poema.
2. A voz que fala no poema aparentemente se dirige a uma plateia.
3. Se na frase “não há vagas” (verso 24), o verbo estivesse no passado (havia), deveria estar no plural, para a correta concordância verbal.
4. O texto se vale da linguagem figurada.
5. Dizer que o operário “esmerila a vida” em oficinas escuras é incoerente, já que essa ação (esmerilar) requer claridade.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.