Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: UNIFAGOC
Leia a seguir um trecho do primeiro capítulo do livro “Triste fim de Policarpo Quaresma” de Lima Barreto:
[...] Dona Adelaide, a irmã de Quaresma, entrou e convidou-os a irem jantar. A sopa já esfriava na mesa, que fossem!
— O Senhor Ricardo há de nos desculpar, disse a velha senhora, a pobreza do nosso jantar. Eu lhe quis fazer um frango com
petit-pois, mas Policarpo não deixou. Disse-me que esse tal petit-pois é estrangeiro e que eu o substituísse por guando. Onde é que se viu frango com guando?
Coração dos Outros aventou que talvez fosse bom, seria uma novidade e não fazia mal experimentar.
— É uma mania de seu amigo, Senhor Ricardo, esta de só querer coisas nacionais, e a gente tem que ingerir cada droga, chi!
— Qual, Adelaide, você tem certas ojerizas! A nossa terra, que tem todos os climas do mundo, é capaz de produzir tudo que é
necessário para o estômago mais exigente. Você é que deu para implicar.
— Exemplo: a manteiga que fica logo rançosa.
— É porque é de leite, se fosse como essas estrangeiras aí, fabricadas com gorduras de esgotos, talvez não se estragasse... É
isto, Ricardo! Não querem nada da nossa terra...
— Em geral é assim, disse Ricardo.
— Mas é um erro... Não protegem as indústrias nacionais... Comigo não há disso: de tudo que há nacional, eu não uso
estrangeiro. Visto-me com pano nacional, calço botas nacionais e assim por diante.
(BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. Curitiba: Editora da UFPR, 1997.)
Considerando o fragmento anterior e o contexto de produção literária em que Lima Barreto está inserido na produção nacional, pode-se afirmar que: