“Essa pessoa humana, cuja definição é como a pedra de toque a partir da qual se deve distinguir o bem do mal, é considerada como sagrada, no sentido ritual do termo, por assim dizer. Ela possui algo dessa majestade transcendente que as igrejas de todos os tempos atribuíram a seus deuses; ela é concebida como se fosse investida dessa propriedade misteriosa que cria um vazio em torno de todas as coisas santas, que as subtrai do contato com as coisas vulgares e as retira da circulação comum. É precisamente disso que vem o respeito de que ela é objeto. Qualquer um que atente contra a vida de um homem, contra sua liberdade, contra sua honra, inspira-nos um sentimento de horror análogo àquele que experimenta um crente quando vê seu ídolo ser profanado. Tal moral não é somente uma questão de higiene ou uma sábia economia da existência; é uma religião na qual o homem é, a uma só vez, o fiel e o deus.” (Durkheim, 1898 apud Weiss, 2013, p. 52).
WEISS, Raquel. A relação entre o sagrado e a moralidade laica na teoria durkheimiana. Revista Pós Ciências Sociais, São Luís, v. 10, n. 19, p. 47-68, 2013.
Ao desenvolver uma reflexão sobre a sacralidade do indivíduo na sociedade moderna e ao propor uma nova moralidade humana pública e laica, Emile Durkheim mobiliza que concepções sociológicas?