Frequentemente as lesões medulares são ocasionadas por forças indiretas produzidas pelos movimentos da cabeça e do tronco e, com menor frequência, por lesão direta a uma vértebra. Os movimentos biomecânicos mais comuns são flexão, compressão, hiperextensão e flexão associada à rotação de tronco, que resultam em fratura e/ou luxação. A intensidade e a combinação desses mecanismos influenciam no tipo e na localização das fraturas, na quantidade de deslocamento e na extensão da lesão aos tecidos moles. Os avanços da medicina e o consequente aumento da sobrevida de pessoas vítimas de lesão medular foram acompanhados de uma evolução em seu tratamento, que passou a objetivar a minimização das incapacidades e das complicações e o retorno do indivíduo à sociedade. Assim sendo, o fisioterapeuta tem um papel fundamental em todo esse processo de adaptação e reabilitação. Diante deste pressuposto, analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. O paciente pode apresentar um quadro de tetraplegia/paresia, quando a injuria for abaixo do nível da 1ª vértebra torácica (T1), ou paraplegia/paresia, quando a lesão for acima do nível de T1, sendo que no quadro de tetraplegia é ressaltada a evidência da perda funcional e sensorial abaixo ou no nível neurológico do 8º segmento medular cervical (C8), com alterações nos membros superiores, bem como no tronco, nos membros inferiores e nos órgãos internos.
II. O trauma raquimedular (TRM) pode resultar em lesão completa ou incompleta na medula espinal, na cauda equina ou nas raízes de nervos periféricos, na lesão completa não existe função motora ou sensorial abaixo do nível da lesão e as lesões incompletas tendem a preservar uma mistura de função motora ou sensitiva.
III. As lesões cervicais altas podem conduzir ao óbito jáíque o nervo frênico, responsável pela inervação do diafragma, emerge dos segmentos C3 a C5, complicações pulmonares como broncopneumonia, embolia pulmonar e insuficiência respiratória compõem um quadro comum, em razão do déficit dos músculos intercostais, desencadeando uma respiração mais superficial e dificultando que as trocas gasosas ocorram da maneira adequada.
IV. Há algumas décadas, somente os pacientes com lesões baixas e/ou incompletas eram candidatos a realizar o treino de marcha como tratamento para o trauma raquimedular (TRM), mas com a evolução das pesquisas, novos equipamentos foram desenvolvidos e, atualmente, atéíum indivíduo com tetraplegia completa pode ser capaz de realizar o treino de marcha, sendo que a marcha no TRM proporciona, entre outras vantagens, a restauração dos movimentos, a prevenção das complicações físicas decorrentes da lesão e a estimulação do gerador central de padrão (GCP) de locomoção medular.
V. O tratamento dos pacientes com trauma raquimedular (TRM) não depende da altura, do comprometimento e da extensão da área lesada e do tempo pós-trauma em que o paciente se encontra para estruturar um protocolo de reabilitação baseado nos prognósticos de evolução preexistentes. Na fase aguda a prioridade é desestabilizar o paciente (funções vitais), bem como manter e conservar suas estruturas osteomusculoarticulares e as possíveis funções existentes ou que venham a surgir. Já na fase de reabilitação, a prioridade nas terapias é potencializar as funções remanescentes e evitar que lesões secundárias sejam instaladas.