Tive dois anos e três meses de invencibilidade, comecei até a desconfiar que eu fosse, de alguma forma, especial. Adivinha só: não sou. Aqui estou eu, com o corpo entregue à doença, que me castiga na cama como poucas fizeram antes.
Brincadeiras à parte, desenvolvi sintomas leves da covid, graças às três doses de vacina.
O coronavírus não é o date ideal – muito pelo contrário, cabe-lhe perfeitamente a expressão “antes só do que mal acompanhado”. Enxotá-lo da minha vida não é uma opção, infelizmente.
O jeito é esperá-lo ir embora e, enquanto isso, a sensatez manda respeitá-lo. Mais: há de se negociar uma convivência possível com o intruso. Levando-se em conta que ele sempre tem razão.
O vírus vetou terminantemente o vinho que eu pretendia tomar neste fim de semana. Nossos jantares serão à base de água, muita água.
Febril, tentei convencê-lo de que o fondue seria uma boa ideia, afinal tenho uns queijos bacanudos dando mole na geladeira. Mas o vírus me devolveu à razão. Nada de fondue. Ele exigiu sopa. Sopa o vírus terá.
(Marcos Nogueira, “O vírus é meu date no Dia dos Namorados”. https://www1.folha.uol.com.br/blogs/cozinha-bruta. 10.06.2022. Adaptado)
Com base em Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), considerando- se os aspectos tipológicos do texto, conclui-se corretamente que seu domínio social de comunicação é