Magna Concursos
1411480 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: VUNESP
Orgão: Pref. Alumínio-SP
Provas:
Leia o texto I para responder a questão.
Texto I
Homem com H
Quando Gilmar perdeu seus documentos e começou a providenciar as segundas vias, não percebeu que o primeiro papel que recebeu foi um passaporte para transitar pelo inferno da burocracia.
Gilmar, que até os 26 anos teve uma vida humilde, mas decente e honesta, procurou em primeiro lugar o cartório de registro civil de Engenheiro Schimitt, vilarejo onde mora.
Lá, a vida corre devagar, bem lenta, principalmente nos meses de outubro a março, período em que quase todos os dias a temperatura fica acima dos 33 graus. Talvez por leseira ou distração, provocada por tanto calor, o cartorário tascou um “sexo feminino” na segunda via da certidão de nascimento de Gilmar, que não percebeu nada até requerer nova carteira de identidade – negada por justa causa. Para o burocrata de plantão, Gilmar era nome de homem, o portador tinha todas as características masculinas, mas a certidão de nascimento dizia que era mulher. Pouco adiantou a argumentação macha de Gilmar: valia o que estava no papel. E sem a identidade, não é possível obter título de eleitor, muito menos carteira de trabalho.
Foi sugerido a Gilmar que retornasse ao cartório para a “devida correção”. E lá foi a vítima para outra armadilha da burocracia. O cartorário que cometeu o erro, o único autorizado a alterar a tal certidão, havia partido desta para outra.
– E o cartorário substituto, por favor, não pode corrigir o erro?
– Alterar uma certidão preenchida por outrem? Nem pensar.
Se para alguns parece cômico, para a vítima começava a ser trágico. Não conseguia nem arrumar emprego. A situação do rapaz ficou complicada. Segundo o parecer de um promotor de justiça, cabe à vítima provar que é homem, e não mulher. É isso mesmo, o ônus da prova era do próprio Gilmar.
O passaporte masculino – chamemo-lo assim – é fácil de se reconhecer, por isso ficaria fácil ao cartorário (vivo) descobrir a verdade. Bastava pedir para a vítima baixar as calças, uma vez que, na região, não se tem notícia de mudança de sexo – do feminino para o masculino.
Caso o cartorário seja um “desidioso” – na linguagem do promotor – ou um preguiçoso negligente, em português vulgar, sugiro ao Gilmarzão que se poste sob a janela do tal cartorário e cante repetidamente, ad nauseam, aquela música de Antonio de Barros, famosa na voz de Ney Matogrosso:
Nunca vi rastro de cobra,
nem couro de lobisomem.
se correr o bicho pega,
se ficar o bicho come
porque eu sou é home…
Um dia qualquer conseguirá convencer o tal cartorário.
(Tufik Bauab, in Ser médico, julho/agosto/setembro de 2010. Adaptado)
Texto II
Testamento
Eu, TEREZA BATISTA, portadora de carteira de identidade 26.511.172-X, enumero meus bens pessoais e nomeio os seguintes beneficiários abaixo:
Para a secretária, deixo minha Enunciado 1411480-1 eletrônica, para ela deletar todos os meus compromissos.
Para o meu chefe, deixo o kit de Enunciado 1411480-2 com 21 peças para ele trabalhar feito um peão.
Para o cachorro do meu marido, deixo a Enunciado 1411480-3 do Rex e o Enunciado 1411480-4 de 6 bocas para ele aprender a cozinhar.
Ganhei na loteria. Vou desta para uma melhor.
Pode imaginar. Aqui tem. Enunciado 1411480-5
(Revista Veja. 12 out. 2006)
A expressão “Vou desta para uma melhor” remete à usada no texto I “havia partido desta para outra”. Ela se refere
 

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